30 de maio de 2021 – Solenidade da Santíssima Trindade – Ano B

Celebramos hoje o mistério da Santíssima Trindade: Três Pessoas distintas — o Pai e o Filho e o Espírito Santo — e um só Deus verdadeiro.

Antes de recomeçarmos a caminhada do Tempo Comum que nos deve levar até ao fim do Ano Litúrgico, a significar a nossa chegada às portas do Paraíso, a Igreja coloca diante dos nossos olhos o mistério da Santíssima Trindade. Ele é o centro da nossa vida e o prémio da desta caminhada, para nos animar à generosidade.

  1. A nossa história divina

Deus criou-nos do nada. «Moisés falou ao povo, dizendo: «Interroga os tempos antigos que te precederam, desde o dia em que Deus criou o homem sobre a terra. Dum extremo ao outro dos céus, sucedeu alguma vez coisa tão prodigiosa? Ouviu-se porventura palavra semelhante?»

Ao retomarmos a caminhada para o Céu, neste Tempo Comum, há duas perguntas oportunas que devemos fazer a nós próprios, como seres inteligentes: quem sou? O que estou a fazer na terra?

Chamou-nos à vida por amor e para partilhar connosco para sempre a Sua mesma felicidade no Céu.

Somos como a criança que acaba de nascer, rodeada de todo o carinho dos pais e outros familiares, mas ainda não sabe a quem ficou a dever a sua vida.

O Livro do Génesis conta-nos como Deus formou Adão do pó da terra e, a partir dele, Eva, a mãe de todos os viventes.

O Senhor fez-nos pouco menores que um anjo ou deus. Além do corpo, deu-nos uma alma imortal, com inteligência para conhecermos a verdade, e vontade livre para escolhermos o bem ou o mal.  Somos, pois, um resumo do universo, participando a criação visível material, e da invisível.

Desta escolha Ele deixou dependente a nossa salvação ou perdição eterna, dando-nos sempre a possibilidade de voltar atrás quando nos enganarmos no caminho.

O homem é o único de todos os seres criados que Deus amou em razão de si mesmo.

Determinou estabelecer com cada um de nós uma relação pessoal e íntima, tornando-nos seus filhos.

Com esta finalidade, fez-nos participantes da Sua mesma vida divina, pelo mistério da graça santificante. E quando a não soubemos guardar e defender, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade incarnou, assumindo uma natureza humana igual à nossa, unida para sempre ao Verbo e ofereceu-Se em resgate por nós.

Encontramos no amor humano uma grande ajuda para conhecermos o mistério da nossa vida.

  1. O mistério da Santíssima Trindade

Há um só Deus. «Naquele tempo, os onze discípulos partiram para a Galileia, em direcção ao monte que Jesus lhes indicara. Quando O viram, adoraram-n’O; mas alguns ainda duvidaram

«É com estas palavras que começa o Símbolo Niceno-Constantinopolitano. A confissão da unicidade de Deus, que radica na Revelação divina da Antiga Aliança, é inseparável da confissão da existência de Deus e tão fundamental como ela. Deus é único; não há senão um só Deus: «A fé cristã crê e professa que há um só Deus, por natureza, por substância e por essência» (Cat Rom I. 2, 8, p. 26.). (CIC n. 200).»

Um ateu convertido dizia há pouco tempo: “Quando não acreditas em Deus, os teus instintos passam a ser a tua religião. De facto, eles mandam em muitas vidas e são adorados pelas pessoas que lhes entregam toda a sua vida.

A fé trona-nos livres, responsáveis e felizes, ao contrário do que nos faz crer o demónio e os que o seguem.

«A Israel, seu povo eleito, Deus revelou-Se como sendo único: «Escuta, Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças» (Dt 6, 4-5). Por meio dos profetas, Deus faz apelo a Israel e a todas as nações para que se voltem para Ele, o Único: «Voltai-vos para Mim, e sereis salvos, todos os confins da terra, porque Eu sou Deus e não há outro […] Diante de Mim se hão-de dobrar todos os joelhos, em Meu nome hão-de jurar todas as línguas. E dirão: “Só no Senhor existem a justiça e o poder”» (Is 45, 22-24) (Cf. Fl 2, 10-11.) ». (CIC n. 201).

Ao longo do Antigo Testamento, Deus não revela este mistério insondável de Três Pessoas e um só deus verdadeiro, porque poderia confundi-los, eles que estavam rodeados de povos que adoravam vários falsos deuses. Foi necessária uma longa caminhada para gravar na sua mente e no seu coração a verdade do Deus único e uno.

 

Em Três Pessoas distintas. «Jesus aproximou-Se e disse-lhes: «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e fazei discípulos de todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei

Deus revela-Se-nos como uma comunhão de Três Pessoas, unidas no mesmo Amor divino, logo desde o princípio do Novo Testamento.

 

  • Na Anunciação. O Filho que Maria vai conceber «será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo.» Maria vai conceber um filho sem concurso do varão. «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra.»

 

  • No Baptismo de Jesus. Quando Jesus saía da água do rio Jordão. «Ao subir da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito, como uma pomba, descer sobre Ele. E dos céus ouviu-se uma voz: “Tu és o meu Filho muito amado, em Ti pus toda a minha complacência”.»

 

  • Na pregação de Jesus. O Mestre fala com frequência do Pai, a ponto de os judeus se indignarem contra Ele, “porque se fazia Filho de Deus” ou chamava a Deus Seus Pai.

 

Na última Ceia, quando fala aos Onze no Pai, Filipe adianta-se e pede: «Mostra-nos o Pai e isso nos basta.» E o Mestre responde-Lhe: «Filipe: há tanto tempo que vives comigo e não Me conheces? Quem Me vê, vê o Pai. Eu e o Pai somos um.»

Fala-lhes também com insistência no Espírito Santo, promete-lhes a Sua vinda e diz-lhes que Ele será o Paráclito, o que lhes ensinará toda a verdade.

 

  • Antes de Jesus subir ao Céu. Jesus manda-nos baptizar em nome de Três Pessoas. Baptizar em nome de quer dizer, por Sua Autoridade, a quem ficam consagradas. Portanto só se pode tratar de Pessoas Divinas. «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».

 

O Deus que Se nos revela no mistério da Santíssima Trindade é a Verdade infinita e a nossa inteligência só pode abarcar o que finito, limitado. No entanto, na ação de cada uma das Três Pessoas Divinas no mundo, dá-nos a conhecer um vislumbre da Sua infinita Riqueza.

 

  • Ao Pai atribui-se a Criação do universo, de todas as coisas visíveis e invisíveis, os Anjos e as criaturas materiais. A Criação que os nossos olhos contemplam e que a nossa imaginação tem dificuldade em abarcar revelam-nos a Sabedoria infinita e a Omnipotência de Deus.

 

  • Ao Filho, o Verbo do Pai, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade atribui-se a Redenção, que aparece como remédio para a queda dos nossos primeiros pais.

Na Sua Paixão e Morte na Cruz, no meio de sofrimentos indizíveis, deu o maior testemunho do Amor de Deus a todos nós e ensinou-nos que o caminho da ressurreição gloriosa é a fidelidade à vontade do Pai.

 

• Ao Espírito Santo foi atribuída a nossa santificação, seguindo Jesus Cristo — o modelo que nos foi dado — até ao Paraíso. Com a graça santificante, comunicou-nos no Baptismo a participação da natureza divina; pelos sete dons, empurra-nos

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