3 de setembro de 2023 – 22º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Hoje a linguagem moderna fala-nos do pleno desenvolvimento da personalidade, da liberdade, da criatividade, do dinamismo e do progresso, mas Cristo – com a mesma atualidade de há dois mil anos – é da renúncia que nos fala. Custa-nos ouvir e aceitar esta palavra. Daí a reação de Pedro que deseja «proteger» o Senhor e a quem Este repreende com certa vibração porque é no abandono de nós mesmos à vontade de Deus e na renúncia consciente e responsavelmente querida que encontramos o caminho do amor desinteressado que nos conduzirá à salvação.

Não é fácil seguir Cristo, porque supõe obediência, fidelidade, perseverança e adesão total, numa comunhão voluntária com Ele como modelo que nos esforçamos por imitar.

O cristão realiza-se oferecendo-se à ação de Cristo, mas sem se destruir. Pelo contrário, o seu apagamento, por aderir ao que Deus manda, faz realçar as suas qualidades humanas, vivificadas pela graça operante. O cristão não deve, por isso, ser um passivo, um resignado (no mau sentido), um triste… mas um combatente ativo na luta contra o pecado, começando por dominar dentro de si próprio as suas más tendências, a sua inclinação para o mal. É nesse esforço de auto-domínio que está o seu mérito. É aí que irá buscar o dinamismo necessário para extravasar o seu amor pelo próximo. O seu desejo de que todos os homens se salvem e atinjam a Felicidade plena.

Se Jesus Cristo é «o Caminho a Verdade e a Vida», trata-se de seguir uma Pessoa e não uma coisa. E essa Pessoa é DEUS que, é o Amor, a Verdade e a Vida absolutos, é também o nosso Criador, o nosso Pai e, como tal, desejando o ótimo para os Seus filhos a quem deu o que tinha de melhor: o Seu próprio Filho. Portanto, como filhos de Deus somos considerados herdeiros e estimulados a querer o que Deus quer. Isto significa que Deus nos faz livres, pois «não poderíamos querer se não fossemos livres». Esta liberdade dos filhos de Deus leva-nos à renúncia voluntária para, esquecendo-nos de nós próprios, para termos mais possibilidades de servir os outros «filhos de Deus», nossos irmãos. Cristo traz assim uma proposta de vida no início de novo ano pastoral completamente oposta aos critérios mundanos, que procuram a alegria fácil do prazer fugaz. É por isso que São Paulo se refere à cruz como loucura que escandaliza os incréus. De facto, a inteligência humana só por si não entende o mistério da Cruz que terá de ser encarado pelo ângulo do amor e da esperança, na certeza de que do sofrimento bem aceite e amado renasce a vida, a felicidade plena. Todavia, sabemos que o valor da cruz não está no gosto pelo sofrimento em si mesmo, como acontece no masoquismo, mas no seu valor altamente positivo como meio de santificação pessoal.

De tudo isto se deduz que renunciar não é uma atitude negativa, mas antes uma escolha livre que visa a identificação com Cristo, que realizou a Sua missão redentora através da cruz. Como alguém disse, esta, «levada com amor, contém uma misteriosa paz interior que só Deus pode dar».

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