29 de março de 2026 – Liturgia de Domingo de Ramos na Paixão do Senhor – Ano A

LEITURA I Is 50, 4-7

Leitura do Livro de Isaías

O Senhor deu-me a graça de falar como um discípulo, para que eu saiba dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos. Todas as manhãs Ele desperta os meus ouvidos, para eu escutar, como escutam os discípulos. O Senhor Deus abriu-me os ouvidos, e eu não resisti nem recuei um passo. Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam. Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio, e, por isso, não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido.

Palavra do Senhor.

 

SALMO RESPONSORIAL Sl 21 (22), 8-9.17-18a.19-20.23-24 (R. 2a)

Refrão: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?

Todos os que me veem escarnecem de mim,
estendem os lábios e meneiam a cabeça:
«Confiou no Senhor, Ele que o livre,
Ele que o salve, se é seu amigo».

Matilhas de cães me rodearam,
cercou-me um bando de malfeitores.
Trespassaram as minhas mãos e os meus pés,
posso contar todos os meus ossos.

Repartiram entre si as minhas vestes
e deitaram sortes sobre a minha túnica.
Mas Vós, Senhor, não Vos afasteis de mim,
sois a minha força, apressai-Vos a socorrer-me.

Hei de falar do vosso nome aos meus irmãos,
hei de louvar-Vos no meio da assembleia.
Vós que temeis o Senhor, louvai-O,
glorificai-O, vós todos os filhos de Jacob,
reverenciai-O, vós todos os filhos de Israel.

 

LEITURA II Flp 2, 6-11

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses

Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio.
Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na terra e nos abismos, e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

Palavra do Senhor.

 

EVANGELHO Forma longa Mt 26, 14 – 27, 66

N Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes e disse-lhes:
R «Que estais dispostos a dar-me para vos entregar Jesus?».
N Eles garantiram-lhe trinta moedas de prata. E a partir de então, Judas procurava uma oportunidade para O entregar. No primeiro dia dos Ázimos, os discípulos foram ter com Jesus e perguntaram-Lhe:
R «Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?».
N Ele respondeu:
J «Ide à cidade, a casa de tal pessoa, e dizei-lhe:
‘O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo. É em tua casa que Eu quero celebrar a Páscoa com os meus discípulos’».
N Os discípulos fizeram como Jesus lhes tinha mandado e prepararam a Páscoa. Ao cair da noite, sentou-Se à mesa com os Doze. Enquanto comiam, declarou:
J «Em verdade vos digo: Um de vós há de entregar-Me».
N Profundamente entristecidos, começou cada um a perguntar-Lhe:
R «Serei eu, Senhor?».
N Jesus respondeu:
J «Aquele que meteu comigo a mão no prato é que há de entregar-Me. O Filho do homem vai partir,
como está escrito acerca d’Ele. Mas ai daquele por quem o Filho do homem vai ser entregue! Melhor seria para esse homem não ter nascido».
N Judas, que O ia entregar, tomou a palavra e perguntou:
R «Serei eu, Mestre?».
N Respondeu Jesus:
J «Tu o disseste».
N Enquanto comiam,
Jesus tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e deu-o aos discípulos, dizendo:
J «Tomai e comei: Isto é o meu corpo».
N Tomou em seguida um cálice, deu graças e entregou-lho, dizendo:
J «Bebei dele todos, porque este é o meu sangue, o sangue da aliança, derramado pela multidão,
para remissão dos pecados. Eu vos digo que não beberei mais deste fruto da videira, até ao dia em que beberei convosco o vinho novo no reino de meu Pai».
N Cantaram os salmos e seguiram para o monte das Oliveiras.
N Então, Jesus disse-lhes:
J «Todos vós, esta noite, vos escandalizareis por minha causa, como está escrito: Ferirei o pastor. e dispersar-se-ão as ovelhas do rebanho’. Mas, depois de ressuscitar, preceder-vos-ei a caminho da Galileia».
N Pedro interveio, dizendo:
R «Ainda que todos se escandalizem por tua causa, eu não me escandalizarei».
N Jesus respondeu-lhe:
J «Em verdade te digo: Esta mesma noite, antes de o galo cantar, Me negarás três vezes».
N Pedro disse-lhe:
R «Ainda que tenha de morrer contigo, não Te negarei».
N E o mesmo disseram todos os discípulos. Então, Jesus chegou com eles a uma propriedade,
chamada Getsémani, e disse aos discípulos:
J «Ficai aqui, enquanto Eu vou além orar».
N E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-Se e a angustiar-Se.
Disse-lhes então:
J «A minha alma está numa tristeza de morte. Ficai aqui e vigiai comigo».
N E, adiantando-Se um pouco mais, caiu com o rosto por terra, enquanto orava e dizia:
J «Meu Pai, se é possível, passe de Mim este cálice. Todavia, não se faça como Eu quero,
mas como Tu queres».
N Depois, foi ter com os discípulos, encontrou-os a dormir e disse a Pedro:
J «Nem sequer pudestes vigiar uma hora comigo! Vigiai e orai, para não cairdes em tentação.
O espírito está pronto, mas a carne é fraca».
N De novo Se afastou, pela segunda vez, e orou, dizendo:
J «Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-se a tua vontade».
N Voltou novamente e encontrou-os a dormir, pois os seus olhos estavam pesados de sono.
Deixou-os e foi de novo orar, pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras. Veio então ao encontro dos discípulos e disse-lhes:
J «Dormi agora e descansai.
Chegou a hora em que o Filho do homem vai ser entregue às mãos dos pecadores. Levantai-vos, vamos.
Aproxima-se aquele que Me vai entregar».
N Ainda Jesus estava a falar, quando chegou Judas, um dos Doze, e com ele uma grande multidão, com espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. O traidor tinha-lhes dado este sinal:
R «Aquele que eu beijar, é esse mesmo. Prendei-O».
N Aproximou-se imediatamente de Jesus e disse-Lhe:
R «Salve, Mestre!».
N E beijou-O.
Jesus respondeu- lhe:
J «Amigo, a que vieste?».
N Então avançaram, deitaram as mãos a Jesus e prenderam-n’O. Um dos que estavam com Jesus levou a mão à espada, desembainhou-a e feriu um servo do sumo sacerdote, cortando-lhe uma orelha. Jesus disse-lhe:
J «Mete a tua espada na bainha,
pois todos os que puxarem da espada morrerão à espada. Pensas que não posso rogar a meu Pai que ponha já ao meu dispor mais de doze legiões de Anjos? Mas como se cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim tem de acontecer?».
N Voltando-Se depois para a multidão, Jesus disse:
J «Viestes com espadas e varapaus para Me prender como se fosse um salteador! Eu estava todos os dias sentado no templo a ensinar e não Me prendestes … Mas, tudo isto aconteceu para se cumprirem as Escrituras dos profetas».
N Então todos os discípulos O abandonaram e fugiram.
N Os que tinham prendido Jesus levaram-n’O à presença do sumo sacerdote Caifás, onde os escribas e os anciãos se tinham reunido. Pedro foi-O seguindo de longe, até ao palácio do sumo sacerdote. Aproximando-se, entrou e sentou-se com os guardas, para ver como acabaria tudo aquilo. Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho falso contra Jesus para O condenarem à morte, mas não o encontravam, embora se tivessem apresentado muitas testemunhas falsas. Por fim, apresentaram-se duas que disseram:
R «Este homem afirmou: ‘Posso destruir o templo de Deus e reconstruí-lo em três dias’».
N Então o sumo sacerdote levantou-se e disse a Jesus:
R «Não respondes nada? Que dizes ao que depõem contra Ti?».
N Mas Jesus continuava calado.
Disse-Lhe o sumo sacerdote:
R «Eu Te conjuro pelo Deus vivo, que nos declares se és Tu o Messias, o Filho de Deus».
N Jesus respondeu-lhe:
J «Tu o disseste.
E Eu digo-vos:
vereis o Filho do homem sentado à direita do Todo-poderoso, vindo sobre as nuvens do céu».
N Então o sumo sacerdote rasgou as vestes, dizendo:
R «Blasfemou.
Que necessidade temos de mais testemunhas?
Acabais de ouvir a blasfémia. Que vos parece?».
N Eles responderam:
R «É réu de morte».
N Cuspiram-Lhe então no rosto e deram-Lhe punhadas.
Outros esbofeteavam-n’O, dizendo:
R «Adivinha, Messias: quem foi que Te bateu?».
N Entretanto, Pedro estava sentado no pátio.
Uma criada aproximou-se dele e disse-lhe:
R «Tu também estavas com Jesus, o galileu».
N Mas ele negou diante de todos, dizendo:
R «Não sei o que dizes».
N Dirigindo-se para a porta, foi visto por outra criada que disse aos circunstantes:
R «Este homem estava com Jesus de Nazaré».
N E, de novo, ele negou com juramento:
R «Não conheço tal homem».
N Pouco depois, aproximaram-se os que ali estavam e disseram a Pedro:
R «Com certeza tu és deles, pois até a fala te denuncia».
N Começou então a dizer imprecações e a jurar:
R «Não conheço tal homem».
N E, imediatamente, um galo cantou. Então, Pedro lembrou-se das palavras que Jesus dissera:
«Antes de o galo cantar, tu Me negarás três vezes». E, saindo, chorou amargamente.
Ao romper da manhã, todos os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo se reuniram em conselho contra Jesus, para Lhe darem a morte. Depois de Lhe atarem as mãos, levaram-n’O e entregaram-n’O ao governador Pilatos. Então Judas, que entregara Jesus, vendo que Ele tinha sido condenado, tocado pelo remorso, devolveu as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos, dizendo:
R «Pequei, entregando sangue inocente».
N Mas eles replicaram:
R «Que nos importa? É lá contigo».
N Então arremessou as moedas para o santuário, saiu dali e foi-se enforcar. Mas os príncipes dos sacerdotes
apanharam as moedas e disseram:
R «Não se podem lançar no tesouro, porque são preço de sangue».
N E, depois de terem deliberado, compraram com elas o Campo do Oleiro, que servia para a sepultura dos estrangeiros. Por este motivo se tem chamado àquele campo, até ao dia de hoje, «Campo de Sangue». Cumpriu-se então o que fora dito pelo profeta: «Tomaram trinta moedas de prata, preço em que foi avaliado Aquele que os filhos de Israel avaliaram, e deram-nas pelo Campo do Oleiro, como o Senhor me tinha ordenado».
N Entretanto, Jesus foi levado à presença do governador,
que Lhe perguntou:
R «Tu és o rei dos judeus?».
N Jesus respondeu:
J «É como dizes».
N Mas, ao ser acusado pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu. Disse-Lhe então Pilatos:
R «Não ouves quantas acusações levantam contra Ti?».
N Mas Jesus não respondeu coisa alguma, a ponto de o governador ficar muito admirado. Ora, pela festa da Páscoa, o governador costumava soltar um preso, à escolha do povo. Nessa altura, havia um preso famoso, chamado Barrabás. E, quando eles se reuniram, disse-lhes Pilatos:
R «Qual quereis que vos solte? Barrabás, ou Jesus, chamado Cristo?».
N Ele bem sabia que O tinham entregado por inveja. Enquanto estava sentado no tribunal, a mulher mandou-lhe dizer:
R «Não te prendas com a causa desse justo, pois hoje sofri muito em sonhos por causa d’Ele».
N Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram a multidão a que pedisse Barrabás
e fizesse morrer Jesus. O governador tomou a palavra e perguntou-lhes:
R «Qual dos dois quereis que vos solte?».
N Eles responderam:
R «Barrabás».
N Disse-lhes Pilatos:
R «E que hei de fazer de Jesus, chamado Cristo?».
N Responderam todos:
R «Seja crucificado».
N Pilatos insistiu:
R «Que mal fez Ele?».
N Mas eles gritavam cada vez mais:
R «Seja crucificado».
N Pilatos, vendo que não conseguia nada e aumentava o tumulto, mandou vir água e lavou as mãos na presença da multidão, dizendo:
R «Estou inocente do sangue deste homem. Isso é lá convosco».
N E todo o povo respondeu:
R «O seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos».
N Soltou-lhes então Barrabás. E, depois de ter mandado açoitar Jesus, entregou-lh’O para ser crucificado.
Então os soldados do governador levaram Jesus para o pretório e reuniram à volta d’Ele toda a coorte.
Tiraram-Lhe a roupa e envolveram-n’O num manto vermelho. Teceram uma coroa de espinhos e puseram-Lha na cabeça e colocaram uma cana na sua mão direita. Ajoelhando diante d’Ele, escarneciam-n’O, dizendo:
R «Salve, rei dos judeus!».
N Depois, cuspiam-Lhe no rosto e, pegando na cana, batiam-Lhe com ela na cabeça. Depois de O terem escarnecido, tiraram-Lhe o manto, vestiram-Lhe as suas roupas e levaram-n’O para ser crucificado.
N Ao saírem, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e requisitaram-no para levar a cruz de Jesus.
Chegados a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer lugar do Calvário, deram-Lhe a beber vinho misturado com fel. Mas Jesus, depois de o provar, não quis beber. Depois de O terem crucificado,repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, e ficaram ali sentados a guardá-l’O. Por cima da sua cabeça puseram um letreiro,
indicando a causa da sua condenação: «Este é Jesus, o rei dos judeus». Foram crucificados com Ele dois salteadores,um à direita e outro à esquerda. Os que passavam insultavam-n’O e abanavam a cabeça, dizendo:
R «Tu, que destruías o templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo; se és Filho de Deus, desce da cruz».
N Os príncipes dos sacerdotes, juntamente com os escribas e os anciãos, também troçavam d’Ele, dizendo:
R «Salvou os outros e não pode salvar-Se a Si mesmo!
Se é o rei de Israel, desça agora da cruz e acreditaremos n’Ele. Confiou em Deus: Ele que O livre agora, se O ama,
porque disse: ‘Eu sou Filho de Deus’».
N Até os salteadores crucificados com Ele O insultavam. Desde o meio-dia até às três horas da tarde, as trevas envolveram toda a terra. E, pelas três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte:
J «Eli, Eli, lemá sabactáni?»,
N que quer dizer: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?».
Alguns dos presentes, ouvindo isto, disseram:
R «Está a chamar por Elias».
N Um deles correu a tomar uma esponja, embebeu-a em vinagre, pô-la na ponta duma cana e deu-Lhe a beber.
Mas os outros disseram:
R «Deixa lá. Vejamos se Elias vem salvá-l’O».
N E Jesus, clamando outra vez com voz forte, expirou.
N Então, o véu do templo rasgou-se em duas partes,
de alto a baixo; a terra tremeu e as rochas fenderam-se. Abriram-se os túmulos, e muitos dos corpos de santos que tinham morrido ressuscitaram; e, saindo do sepulcro, depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos. Entretanto, o centurião e os que com ele guardavam Jesus, ao verem o tremor de terra e o que estava a acontecer, ficaram aterrados e disseram:
R «Este era verdadeiramente Filho de Deus».
N Estavam ali, a observar de longe, muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galileia, para O servirem.
Entre elas encontrava-se Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.
Ao cair da tarde, veio um homem rico de Arimateia, chamado José, que também se tinha tornado discípulo de Jesus. Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. E Pilatos ordenou que lho entregassem. José tomou o corpo, envolveu-o num lençol limpo e depositou-o no seu sepulcro novo, que tinha mandado escavar na rocha.
Depois rolou uma grande pedra para a entrada do sepulcro e retirou-se. Entretanto, estavam ali Maria Madalena e a outra Maria, sentadas em frente do sepulcro. No dia seguinte, isto é, depois da Preparação, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus foram ter com Pilatos e disseram-lhe:
R «Senhor, lembrámo-nos do que aquele impostor disse quando ainda era vivo: ‘Depois de três dias ressuscitarei’. Por isso, manda que o sepulcro seja mantido em segurança até ao terceiro dia, para que não venham os discípulos roubá-lo e dizer ao povo: ‘Ressuscitou dos mortos’. E a última impostura seria pior do que a primeira».
N Pilatos respondeu:
R «Tendes à vossa disposição a guarda:
ide e guardai-o como entenderdes».
N Eles foram e guardaram o sepulcro,
selando a pedra e pondo a guarda.

Palavra da salvação.

 

REFLEXÃO

O Domingo de Ramos apresenta-se-nos com dois cenários: um de festa, ao comemorar a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém; e outro, de sofrimento, ao celebrarmos a Paixão do Senhor.

Com o Domingo de Ramos, iniciamos a Semana Maior, a Semana Santa, na qual vamos celebrar a Paixão Morte e Ressurreição do Senhor. Percorremos, nesta semana, a última etapa desta Quaresma, até à renovação das Promessas do nosso Batismo, na noite da Vigília Pascal.

1. Ofereceu-Se porque quis

Isaías, a muitos séculos da vinda de Jesus, fala profeticamente sobre a Paixão de Jesus. Ela não é uma catástrofe, uma desgraça sem remédio, mas a maior prova de Amor que o Pai nos dá em Seu Filho Unigénito feito Homem.

Se deixássemos de contemplar este acontecimento central da nossa Redenção a esta luz da fé, não entenderíamos nada do que se passou e ficaríamos desorientados, mergulhados em densas trevas.

• Contemplar a Paixão à luz da fé. «O Senhor deu-me a graça de falar como um discípulo, para que eu saiba dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos.»

Sem esta luz da fé, sem esta chave de leitura dos acontecimentos da Paixão e Morte de Jesus, tudo o que aconteceu nos parece sem qualquer sentido e a nossa fé aparece cheia de sombras e sem lógica.

O mesmo acontece com as nossas pequeninas “paixões” da vida presente, as nossas cruzes: se as contemplarmos somente à luz da razão humana, o Amor de Deus para connosco fica em causa.

Por isso, devemos também pedir ao Senhor «a graça de falar como um discípulo.» Quando queremos saber confortar quem sofre, não condenando o sofrimento ou alimentando esperanças que não realizam, mas ajudando-as a iluminar o que estão a sofrer com a luz da filiação divina, temos manter diante dos olhos a Paixão de Jesus. É a partir daqui que tudo ganha sentido na nossa vida, tudo concorre para o nosso bem: «omnia in bonum.»

• A Cruz, inseparável da vida. «Todas as manhãs Ele desperta os meus ouvidos, para eu escutar, como escutam os discípulos. O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo.»

Jesus tem presente durante a vida mortal a Sua Paixão e Morte e, à medida que se aproxima a hora, fala dela.

Devemos procurar resolver os nossos problemas: esclarecer os equívocos que provocam mal estar, procurar a cura das doenças, tentar uma reconciliação e colocar todos os meios para solucionar uma crise económica ou qualquer outra,

Fujamos, porém, da ideia obsessiva de evitar toda a cruz, todo o incómodo da vida, porque trabalharemos em vão e regressaremos quase sempre derrotados.

Os sofrimentos são as pancadas do Divino Artífice, para fazer de nós uma obra de arte – a santidade pessoal. Há defeitos e apegos que só corrigimos com algum sofrimento.

Além disso, como somos uma Família solidária a caminho do Céu, o Senhor pede-nos uma ajuda misteriosa para socorrer outras pessoas que vamos ter a alegria de conhecer no céu.

A via da Cruz torna-nos mais semelhantes a Jesus Crucificado e participantes da Sua missão redentora.

• Com fortaleza cristã. «Apresentei as costas àqueles que me batiam, e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam.»

Na verdade, enche-nos de espanto e desconcerta-nos o comportamento de Jesus durante a Sua Paixão. Não Se defende, não Se justifica, não Se queixa, nem evita os golpes.

Podia ter evitado a Paixão, trocando os caminhos aos perseguidores, ou usado o Seu poder divino, como fez para curar os doentes e ressuscitar os mortos, mas não o faz, entregando totalmente a Sua liberdade física.

Obedece à ordens dos algozes, como nós quando vamos ao médico, sem proferir uma só palavra. Apenas quando o guarda Lhe dá uma bofetada retifica, para que não fique a ideia de que Jesus tinha faltado ao respeito ao Sumo Sacerdote, suprema autoridade religiosa. «Se falei mal, diz-Me em quê; e se falei bem, por que Me feres?»

Ao meditar estas palavras de Isaías, recordamos a conduta de Jesus na Sua Paixão e Morte. Suporta os insultos e agressões na flagelação e na coroação de espinhos, obedece e estende prontamente os braços e os pés para que Lhos preguem na cruz

• Confiado no Pai. «Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio, e, por isso, não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido.»

Jesus vai dialogando com o Pai, durante a Sua Paixão. No Horto das Oliveiras, interpela-O cheio de confiança: «Meu Pai: se é possível, afasta de Mim este cálice. Todavia não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres.»

Na Cruz, antes de expirar e revelando um pouco o mar sem limites do Seu sofrimento, exclama; «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?»

O auxílio que o Pai Lhe dá na Paixão é a fortaleza, para beber até ao fundo o cálice do sofrimento.

Jesus tornou o rosto como se fosse de pedra, inexpressivo, sem se contorcer nos momentos de maior sofrimento. Ao ver como Se comporta, durante as inúmeras e dolorosas agressões, parece que não as sente, porque não desvia o rosto, não se lamenta, nem altera o ar de serenidade: tal como se o rosto fosse de pedra.

 

2. Um mar de sofrimento sem praias

Jesus quis experimentar o sofrimento moral e o físico, durante as horas que dura a Paixão, praticamente começada no Cenáculo e acabada no Calvário.

• O sofrimento moral da traição. «Enquanto comiam, declarou: “Em verdade vos digo: Um de vós há-de entregar-Me”. Profundamente entristecidos, começou cada um a perguntar-Lhe: “Serei eu, Senhor?” Jesus respondeu: “Aquele que meteu comigo a mão no prato é que há-de entregar-Me. O Filho do homem vai partir, como está escrito acerca d’Ele.”»

A Paixão de Jesus começa no Cenáculo, pela traição de um dos seus Apóstolos. Judas fora chamado por Jesus para o Colégio Apostólico. Toda a vicação que Deus nos envia é uma eleição de Amor.

Presenciara milagres, ouvira pregações maravilhosas e recebera de Jesus muitas demonstrações de carinho e de confiança.

No entanto, agarrou-se orgulhosamente à ideia de uma redenção pela vitória, restaurando a glória do reino de Israel. Tinha um pequeno defeito: desviava moedas do saco das esmolas que davam para o grupo. Este defeito e o seu orgulho não combatidos, vão afastando Judas cada vez mais da intimidade do Mestre. Já O não ama, nem está interessado em seguir o Seu projecto.

Tenta uma saída de mau gosto. Ganhará trinta dinheiros entregando Jesus, mas este não Se deixa prender e ele irá tentar a vida noutro lugar, rindo-se dos que querem prender o Mestre.

Jesus, porém, deixa-Se prender e Judas tenta desfazer o negócio, porque caiu em si, mas, não o tendo conseguido, desespera, porque lhe falta amor ao Mestre para Lhe pedir perdão e recomeçar.

Para além do sofrimento moral da traição, Jesus sofre a mentira e a calúnia, o abandono de todos, como coisas inútil, na noite de quinta para sexta feira; as afirmações mentirosas sobre a Sua conduta e o que tinha dito; os escárnios dos soldados da guarnição, coroando-O de espinhos e colocando-Lhe aos ombros uma clâmide rota e suja e na mão uma cana a servir de cetro. Os escarros não O fazem sofrer fisicamente, mas sentir horrores com o sofrimento moral. Acrescentemos ainda a tríplice negação de Pedro e o abandono dos Doze, começando no sono dos três, enquanto Ele orava; os gritos de ódio da multidão entre a qual estariam, certamente, muitos que O tinham ouvido pregar e recebido uma cura, um sorriso ou uma palavra amiga. Ouviu-os preferir Barrabás, um assassino, a Ele que lhes tinha feito tanto bem.

• Sofrimento físico. «Disse-lhes Pilatos: “E que hei-de fazer de Jesus, chamado Cristo?” Responderam todos: “Seja crucificado”. Pilatos insistiu: “Que mal fez Ele?” Mas eles gritavam cada vez mais: “Seja crucificado”. Pilatos insistiu: “Que mal fez Ele?” Mas eles gritavam cada vez mais: “Seja crucificado”. Pilatos, […] Soltou-lhes então Barrabás. E, depois de ter mandado açoitar Jesus, entregou-lh’O para ser crucificado.»

Na Sua Paixão, Jesus começou por sofrer fome e sede. Desde a Última Ceia, no fim de tarde de quinta feira, até às três horas da tarde de sexta feira, não provou nada. Nos últimos momentos antes de morrer, a sede aumentou muito, por causa da perda de sangue e esforço até à exaustação.

Pilatos mandou-O flagelar. A flagelação era um castigo terrível. Preso de pés e mãos a uma coluna, desnudado, o paciente aguentava as vergastadas com correias de cabedal, com pedados de ossos e objetos metálicos, para O ferir ainda mais. Os israelitas aplicavam apenas 39 vergastadas aos condenados, para não transgredirem a Lei; mas, no caso de Jesus, eram soldados estrangeiros que Lhe bateram até se cansarem, entre exclamações e sarcasmos injuriosos.

Os espinhos feriram a Sua Cabeça e ensoparam os cabelos em Sangue. Seguiu-se o caminho da Cruz, com as quedas de que nos fala a tradição.

Arrancaram-Lhe as vestes coladas ao corpo, pelo Sangue e traspassaram-Lhe os pés e as mãos com rudes cravos. Durante três horas intermináveis, pendeu da Cruz, sem poder apoiar-se nas mãos ou nos pés, para encher os pulmões de ar. Deve ter morrido asfixiado.

Maria Santíssima seguiu, a partir de determinado momento, a Paixão de Jesus Cristo até que Ele exalasse o último suspiro.

Que Ela nos ensine a meditar a Paixão de Jesus e a ter um coração agradecido a Quem morreu para nos salvar.

 

ORAÇÃO UNIVERSAL OU DOS FIÉIS 

Irmãs e irmãos:
Contemplando a Cristo, nosso Salvador, oremos pela salvação de todos os homens,
vítimas do ódio, da violência e da injustiça, dizendo (ou: cantando), confiadamente:

R. Ouvi-nos, Senhor.
Ou: Abençoai, Senhor, o vosso povo.
Ou: Kýrie, eléison.

1. Pela santa Igreja, seus ministros e fiéis,
para que, vivendo na fé o mistério da Paixão,
recolham da árvore da cruz o fruto da esperança,
oremos.

2. Pelos que fazem as leis e julgam os homens,
para que defendam os inocentes e os oprimidos
e restabeleçam o direito e a verdade,
oremos.

3. Pelos ateus e pelos cristãos sem fé,
para que, à semelhança do centurião do Evangelho,
descubram em Cristo crucificado o Filho de Deus,
oremos.

4. Pelos doentes, os moribundos e os agonizantes,
para que sintam junto de si o Salvador,
que nas mãos do Pai entregou o seu espírito,
oremos.

5. Por todos nós e pela nossa comunidade (paroquial),
para que, unidos à paixão e morte do Redentor,
sejamos conduzidos à glória da Ressurreição,
oremos.

(Outras intenções: jovens do mundo inteiro e seus animadores …).

 

Senhor, nosso Deus,
que Vos dignastes contar-nos entre o número daqueles para quem o vosso Filho implorou o perdão ao expirar,
dai-nos a graça de descobrir, à luz da fé, o amor infinito com que nos amais.
Por Cristo, nosso Senhor.

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