29 de maio de 2022 – Solenidade da Ascensão do Senhor – Ano C

E cumpre-se a Páscoa, com a Ascensão do Senhor. O que nos quer dizer hoje esta Solenidade da Ascensão do Senhor? Não, que o Senhor foi para um lugar distante dos homens e do mundo! A Ascensão de Cristo não é uma viagem no espaço em direção aos astros mais remotos. A Ascensão de Cristo significa que Ele não já pertence ao mundo caduco da corrupção e da morte, que condiciona a nossa vida. Significa que Ele pertence completamente a Deus. Esperemos agora à mesa, que Ele nos abra os olhos, para o alto e nos envie, com o seu Espírito, por toda Terra, a anunciar a Boa Nova.

Todos “acham” alguma coisa

Às vezes imagino os discípulos de Jesus a serem entrevistados pelos órgãos mediáticos de hoje e a terem de responder imediatamente aos inúmeros “acha que…” lançados pelos jornalistas. “Acha que Jesus vai voltar?”, “acha que o Espírito Santo se parece com uma pomba?”, “acha que os judeus vos vão perseguir?”… É curioso como as notícias precisam sempre da opinião “anónima” de quem “acha” alguma coisa sobre tudo e sobre nada. É pouco importante saber, talvez até pensar, o que conta é “achar que… sim, … que não, … que talvez!”. Para além das questões semânticas ou linguísticas (que não pretendo discutir) é notável como a comunicação mais imediata como é a televisão se transformou num palco de futilidade, de superficialidade, e de banalidade. Mas dirão que isto é o “que eu acho!”, não é?

Não havia repórter nem fotógrafo nos momentos fulcrais da vida de Jesus. Porque há uma verdade só captável pelo olhar da alma, uma luz capaz de iluminar os olhos do nosso coração, que escapam aos relatos científicos e ao contorno das películas. A nuvem que O esconde aos nossos olhos não reduz a sua presença. Mas ela só se revela a quem a procura. Então, o valor da comunicação tem a ver com a procura que cada um faz, com o pensamento que cada um desenvolve, com o diálogo que as ideias permitem (e a ausência delas mata!).

Por isso, o maravilhoso de comunicarmos tem se afirmar a partir daquilo que é profundo, daquilo que mexe com a nossa vida, daquilo que permite partilha e crescimento. Porque será que são precisamente os momentos de espetáculos estridentes e ruidosos, de jogos violentos e quase animalescos, de notícias bombásticas e escandalosas que mais prendem as pessoas a um écran ou a um altifalante? E isso é notícia porque “as pessoas querem” e as audiências é que mandam ou “dá muito jeito” educar os gostos do público nesse sentido? Quando não interessa refletir o real não será fácil encontrar escapes de alienação? Lá estou a dramatizar, não é? Gostava muito de estar errado!

A Ascensão de Jesus convida a refletir sobre a comunicação e os inovadores meios que hoje existem. Nunca como hoje viajaram tantas palavras e imagens para os mais recônditos lugares do planeta. Quem estivesse de fora a olhar, o que diria de tanto ruído e tão pouco espaço para dialogar e entender as mensagens? Que humanidade revelamos por todos estes meios? Creio que uma humanidade à procura, mas também acomodada a demasiados males que ainda persistem. Muitos já “acham” que a mensagem de Jesus não tem eficácia, outros continuam a procurar vivê-la em cheio! E tu, o que pensas?

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