29 de agosto de 2021- 22º Domingo do Tempo Comum – Ano B

Ao longo de todo o Antigo Testamento, em inúmeras passagens, o povo é exortado a obedecer à lei do Senhor. Por exemplo, numa passagem do Deuteronómio, Moisés diz ao povo hebreu: “Fica sabendo hoje e grava-o no teu coração: Só o Senhor é Deus, no alto dos céus e cá em baixo na terra, e não existe nenhum outro Deus. Cumprirá, portanto, as suas leis e os seus mandamentos, que hoje te prescrevo”.

Cumprir a Lei é sinal de fidelidade ao Senhor e à Aliança.

Quando o povo se afasta da Lei de Deus, logo vêm os Profetas lembrar a necessidade de lhe ser fiel.

Com a vinda da Nova Aliança, a obediência a Deus toma a forma de obediência ao Evangelho.

Jesus dá-nos o exemplo: “Eu vim do céu para fazer a vontade d’Aquele que me enviou e não a minha”. E noutra passagem do Evangelho de São João: “A minha comida é fazer a vontade d’Aquele que Me enviou, e faço sempre aquilo que Lhe agrada”. Como dirá São Paulo: “Cristo fez-se obediente até à morte”. Segundo a carta aos Hebreus, Jesus fez Sua a oração do Salmo 40: “Não pediste holocaustos nem expiações, então clamei: Eis-me aqui! De Mim está escrito no Livro da Lei que faça a Vossa vontade. Assim o quero, ó meu Deus, a Vossa Lei está no meu coração”.

A Lei de Deus é uma lei de amor que exige a adesão do nosso coração.

Jesus ensina-nos a pedir no Pai Nosso que seja feita a vontade de Deus. A salvação vem de fazer a vontade de Deus e não a nossa.

Mas o Evangelho de hoje o Senhor chama-nos a atenção para um problema extremamente importante no cumprimento dos mandamentos de Deus: É confundir a vontade de Deus com as tradições humanas. As tradições representam a maneira como, num dado momento, os homens procuram exprimir a sua obediência à Lei de Deus. Contém por isso um elemento humano transitório, destinado a variar com a história e a civilização. Mas existe sempre a tentação de o homem fazer uma lei à sua medida, um formalismo que ele cumpria sem precisar de Deus. Por isso Jesus lembra a profecia de Isaías: “Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está bem longe de Mim. É vão o culto que Me prestam ao ensinarem doutrinas que são preceitos humanos”.

O problema é grave, por isso Jesus o denuncia. Escribas e fariseus descuram o mandamento de Deus, para se agarrarem a observâncias exteriores e tradições humanas. Confundem o absoluto com o relativo, põem no mesmo plano o essencial e o acessório. Fizeram da lei do amor um jugo insuportável, eriçado de preceitos, pondo a perfeição em ritos e observâncias. Pagavam o “dízimo da hortelã, do funcho e do cominho”, e desprezavam o mais importante da Lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade”.

O perigo farisaico é ameaça constante na Igreja de hoje e de sempre. O farisaísmo consiste em absolutizar valores temporais e transitórios, estabelecendo o primado da letra sobre o espírito.

Devemos estar atentos a não seguir por esse caminho. Estejamos dispostos a respeitar certas práticas tradicionais, sobretudo quando sancionadas pela autoridade competente, mas não as equiparemos aos mandamentos da Lei de Deus.

Para o cristão, a obediência à Lei de Deus é uma atenção a Deus que fala, na Igreja, pelo Seu Espírito, o qual ilumina as palavras de Jesus e de toda a Bíblia e lhes confere autoridade, tornando-as canais da vontade viva de Deus para nós.

Reflitamos um pouco sobre a obediência de Nossa Senhora à Palavra de Deus. Pelas palavras: “Eis a serva do Senhor”, Maria oferece-se a si mesma a Deus como uma página em branco em que ainda se pode escrever tudo. Mas a sua obediência não acabou com a Anunciação, num certo sentido isso foi apenas o começo. Pouco a pouco, alargou o seu “sim” até tudo abraçar, mesmo a cruz.

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