27 de novembro de 2022 – 1º Domingo do Advento – Ano A

Começa hoje um novo ano litúrgico. Este ritmo de anos que se sucedem lembra-nos que a vida é um caminho e que o tempo de preparação para uma eternidade feliz no Céu se esgota, passa e não volta mais.

A Igreja anima-nos a que permaneçamos vigilantes, isto é, atentos aos acontecimentos e chamadas de atenção, acordados e com capacidade de resposta às solicitações.

 

1. O Senhor virá

O Senhor virá ao nosso encontro. «Sucederá, nos dias que hão-de vir, que o monte do templo do Senhor se há-de erguer no cimo das montanhas e se elevará no alto das colinas

Com o primeiro Domingo do Advento, renova-se a promessa da vinda do Senhor e é-nos oferecido tempo de preparação para o Natal de Jesus, começando um novo ano litúrgico. Nele vamos celebrar os principais acontecimentos do mistério de Cristo.

Na verdade, a vida neste mundo é um caminhar ao encontro de Cristo que, por Sua vez, vem ao nosso encontro na Palavra e na Eucaristia.

Quando nos pomos a caminho, em viagem, somos movidos pela esperança; desejamos alcançar a meta que nos propomos.

Desejamos, nesta caminhada do Advento, preparar a vinda de Jesus Cristo, nosso único Redentor.

Vinda histórica. Queremos celebrar o nascimento histórico de Jesus. Pela celebração litúrgica, tornamos presente, actual este acontecimento da vida de Jesus Cristo e tomamos parte nele. 

A celebração do Natal entrou em todas as culturas e religiões. Não podendo acabar com ela, algumas pessoas e grupos procuram desvirtuar-lhe o significado.

– Criaram a figura do Pai Natal, para substituir o Menino Jesus. A figura que nos apresentam é a de S. Nicolau, Bispo de Bari, que se tornou célebre pela sua caridade para com os mais necessitados.

– Preparar o Natal, a celebração deste acontecimento histórico, é, para alguns, consumismo e culto da boa mesa.

– Outros ainda reduzem-no a dar e a receber prendas e gratificações. Estas podem ser expressões da comunhão e amor que Ele veio trazer ao mundo dos homens.

Vinda escatológica. Esta acontecerá no fim dos tempos, quando Jesus vier sobre as nuvens do Céu para nos julgar.

Depois deste tempo de prova na terra, Deus examinará a nossa vida para ver se somos merecedores de prémio ou – o que Ele não permita – de castigo eterno.

Jesus falou algumas vezes desta vinda no fim dos tempos e do julgamento a que seremos submetidos.

Vinda espiritual ou mística. Entre estas duas vindas – uma que aconteceu há dois mil anos e outra que não sabemos quando será – situa-se o nascimento de Deus em nós, pela conversão pessoal.

É sobretudo nesta que devemos centrar a nossa melhor atenção e fazer planos para facilitar a sua realização, entregando-nos à acção do Espírito Santo.

Durante o Advento, a Liturgia da Palavra chama a nossa atenção para aspectos concretos da nossa vida de relação com Deus, para nos ajudar. O Advento estabelece 4 pontos de referência: O Senhor virá; virá de Jerusalém; Filho virginal de Maria; o Senhor está perto.

 

2. Vivamos atentos

 

Entremos na arca da salvação. «Como aconteceu nos dias de Noé, assim sucederá na vinda do Filho do homem. Nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; e não deram por nada, até que veio o dilúvio, que a todos levou

 

O mundo antes do dilúvio e o nosso. Jesus, ao falar da iminência do Dia do Senhor, compara as pessoas do dilúvio aos contemporâneos de Noé. Enquanto este santo Patriarca do Antigo testamento construía, por ordem de Deus, a Arca, preparando-se para sobreviver ao dilúvio com a sua família, os seus conterrâneos riam-se dele, porque lhe parecia sem sentido o que estava a fazer. Para quê cometer a “loucura” de construir uma grande barca numa planície enxuta? «Nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; e não deram por nada, até que veio o dilúvio, que a todos levou

Hoje fazem-nos a mesma pergunta e olham-nos com os mesmos olhos: Para quê ser casto, justo e verdadeiro, se ninguém nos vai pedir contas do que fazemos agora?

Esta mentalidade que o Inimigo promove explica tudo o que vemos hoje: divórcio e “recasamento”, com a hábil desculpa de que têm direito a ser felizes; união de facto, com a desculpa de que assim se podem separar quando quiserem; não acolhimento ao dom da vida, sob pretexto de que são um obstáculo a que os pais “gozem a vida”. Troca-se de par no matrimónio como quem muda de roupa; imitam-se os animais, no acasalamento ocasional; em vez de filhos vemos cães e… porcos, a acompanhar as pessoas na rua.

Não acreditaram na recomendação de Deus – não tinham fé – e acordaram quando já não havia remédio, porque tinha começado a chover e prolongou-se a chuva por quarenta dias, até que deixaram de ter pé e ficaram afogados.

 

A Igreja, arca de salvação. Fazemos parte da Igreja desde o Baptismo. Às vezes somos tentados a deixar a cabeça e as pernas de fora. Estamos dentro, mas não aceitamos a sua vida e as suas regras.

O Concílio Vaticano II definiu a Igreja de Cristo – só esta! – como sinal e instrumento universal de salvação. Ela é uma barca que flutua, mas tem de vencer distancias com o esforço de todos os remadores que somos nós.

 

A atenção aos que ainda não entraram. A Igreja não pode ser um refúgio de “bem-aventurados” onde nos refugiamos do contágio do mundo.

Enquanto estamos neste mundo, temos sempre tempo de entrar na arca, mas não sabemos quando começará o nosso dilúvio, isto é, quando terminará o tempo de prova e acabará a nossa vida… e é indispensável que estejamos dentro da arca quando ele começar.

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