25 de outubro de 2020 – 30º Domingo do Tempo Comum – Ano A

A liturgia deste Domingo diz-nos que o amor é o fundamento da vida cristã. Deus, nosso Pai, revela-se na primeira leitura como um Deus misericordioso, mas atento à nossa maneira de proceder para com os mais débeis. Nós, que somos os seus filhos, devemos evitar a injustiça e ser uma transparência da Sua bondade. A Lei e os Profetas resumem-se no amor a Deus e no amor ao próximo. Os dois mandamentos não podem separar-se: A prova de que  amamos  a Deus manifesta-se no amor aos irmãos.

 

Amar a Deus e ao próximo

Um doutor da Lei interrogou Jesus: “Qual é o maior mandamento?” Esta pergunta feita a Jesus, “para O experimentar”, foi ocasião para o Senhor afirmar, a verdadeira hierarquia dos valores à luz de Deus. O Evangelho deste Domingo oferece-nos o ensino de Jesus sobre o mais importante de todos os mandamentos: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o coração, com toda a alma e com todo o teu espírito”. Jesus acrescenta que o segundo mandamento é semelhante: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” Jesus não veio revogar o Antigo Testamento, veio confirmar e completar o que já estava escrito. Na primeira leitura escutámos as prescrições que se deviam observar no trato com os estrangeiros, com as viúvas, com os órfãos e aqueles que tinham necessidade de pedir algo emprestado, para viver. Este ensinamento permanece actual: não se pode separar o amor a Deus, do amor ao próximo, porque o Senhor é um Deus compassivo e cuida de todas as suas criaturas. O amor a Deus concretiza-se no amor ao próximo. Ao ser interrogado sobre qual era o maior mandamento, Jesus acrescenta também qual é o segundo, não fosse caso de pensarmos que, ao pretender amar a Deus, se poderia humilhar o próximo. 

 

“Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei!”

Para nós, que somos o povo da Nova Aliança, o amor ao próximo não fica apenas na ordem dada por Deus no livro do Levítico: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Lev 19,18) Agora, temos um Mandamento Novo: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei!” (Jo 13,34) Sabemos que Deus nos ama, por isso, também nós devemos amar os nossos irmãos.” Santa Teresa do Menino Jesus, Doutora do Amor, ajuda-nos a compreender esta passagem da Bíblia: “Quando Deus ordenara ao seu povo que amasse o seu próximo como a si mesmo, Jesus ainda não tinha vindo à terra. Sabendo em que grau se ama a própria pessoa, não podia pedir às suas criaturas um amor maior para com o próximo. Mas quando Jesus deu aos Apóstolos um Mandamento Novo, o Seu mandamento, não fala já de amar o próximo como a si mesmo, mas de o amar como Ele, Jesus, o amou, como o amará até à consumação dos séculos.”[1]

Santo Agostinho também nos ajuda a compreender melhor o Evangelho de hoje: “Jesus sintetizou a Lei e os Profetas nos dois preceitos da caridade. Devemos amar a Deus e ao próximo. Isto continuamente se há-de pensar, meditar, praticar, cumprir. O amor a Deus é o primeiro mandamento na hierarquia da obrigação, mas o amor ao próximo é o primeiro na ordem da acção. Agora ainda não vemos a Deus, mas mereceremos contemplá-l’O, se amamos o próximo. Com o amor do próximo purificamos o nosso olhar, para que os nossos olhos possam contemplar a Deus, como afirma S. João: “se não amas o teu irmão que vês, como poderás amar a Deus que não vês?” Portanto, ama o teu próximo e encontrarás dentro de ti a origem do amor.”[2]

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