24 de julho de 2022 – 17º Domingo do Tempo Comum – Ano C

Neste Domingo, o Senhor fala-nos da nossa oração, isto é, da nossa relação com Ele. Esta relação com Deus tem repercussão também na relação com os outros, na nossa capacidade de interceder por eles.

  1. Neste Domingo, a Palavra do Senhor interpela-nos sobre a nossa oração. O aspecto mais significativo aqui presente é a persistência da oração. Abraão, justo, intercede pelos injustos. Ele torna-se prefiguração de Cristo, o Justo, que intercede pelos pecadores junto de Deus Pai.                                                                                                    
  2. No Evangelho, São Lucas apresenta-nos um discurso de Jesus que nos elucida sobre o conteúdo da nossa oração (vv. 2-4); a persistência na oração (vv. 5-10); a fidelidade de Deus (vv. 11-13).                                                   
  3. Quanto ao conteúdo da nossa oração, Jesus apresenta-nos as palavras do Pai Nosso – aqui numa versão mais sucinta – como caminho perfeito de oração. Mas também o próprio Espírito Santo vem em nosso auxílio, pois tantas vezes não sabemos o que devemos pedir (cf. Rm 8, 26). São Tiago avisa-nos: «Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para satisfazer os vossos prazeres.» (Tg 4, 3).» O Espírito Santo inspira-nos sobre o que devemos pedir e ajuda-nos a não pedirmos por egoísmo. Daí que Jesus termine referindo-Se ao Espírito Santo, pois Ele é não só o maior dom que devemos pedir e que Deus nunca recusa a ninguém (Cf. Tg 1, 5), como também Aquele que nos orienta para a verdadeira oração.                                                                                                  
  4. No que respeita à persistência na oração, estas parábolas são paralelas à da viúva e do juiz iníquo (cf. Lc 18, 1-8): se pela persistência se consegue obter o que se pretende, mesmo quando os homens são injustos, com muito maior razão se alcançará de Deus, que é infinitamente bom, aquilo que pedirmos com perseverança. Mas, como questiona Jesus no final da parábola da viúva e do juiz iníquo, «quando o Filho do Homem voltar, encontrará a fé sobre a terra?» (Lc 18, 8) «Não tendes, porque não pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para satisfazer os vossos prazeres.» (Tg 4, 2c-3) De facto, muitas vezes, não alcançamos o que pedimos a Deus principalmente por três motivos:
  • porque nos falta a fé;
  • Porque nos falta a humildade para pedir insistentemente;
  • Porque pedimos mal, pedimos apenas para satisfazer os nossos egoísmos.

 

  1. No que concerne à fidelidade de Deus, pela boca do profeta Isaías, Ele afirmou: «Acaso pode uma mulher esquecer-se do seu bebé, não ter carinho pelo fruto das suas entranhas? Ainda que ela se esquecesse dele, Eu nunca te esqueceria. Eis que Eu gravei a tua imagem na palma das minhas mãos» (Is 49, 15-16). Com tal amor e carinho da parte de Deus, a nossa oração deixará de ser um exercício comercial de troca de interesses, para se tornar ocasião de encontro pessoal e amoroso com este Pai que nos ama profundamente e que jamais nos abandonará!

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