23 de janeiro- 3º Domingo do Tempo Comum -Ano C (na Diocese do Algarve celebra-se a Solenidade de São Vicente)

A antífona de entrada deste 3ª Domingo do tempo comum, convida-nos a celebrar os louvores de Deus: «Cantai ao Senhor um cântico novo…!», e na oração inicial (ou colecta) pedimos ao Pai duas graças: que oriente a nossa vida segundo o Seu desígnio e que produzamos bons frutos de boas obras.

A celebração da Palavra ocorrida no Antigo Testamento

 Como escutamos na primeira leitura, Neemias, governador de Jerusalém, após o exílio dos israelitas do cativeiro da Babilónia, e o sacerdote Esdras procuram restaurar o culto e a vida religiosa do povo, numa atitude de fé e confiança em Deus.

Ouvimos a narração da convocação do povo para uma grande assembleia celebrativa. A comunidade acolheu com todo o respeito esta convocação. Seguiu-se a leitura da Palavra de Deus, proclamada e explicada no meio da comoção dos fiéis, que manifestaram o seu assentimento através do Amen. Vimos depois como a festa, começada na celebração litúrgica, se prolongou na alegria duma refeição partilhada e abundante. Finalmente ouvimos o Autor sublinhar que a razão de ser da festa estava no dia consagrado ao Senhor.

Se estivermos atentos aos diferentes passos dessa celebração, facilmente descobriremos a semelhança que tem com a celebração eucarística, a Missa. A Palavra assume papel relevante na vida da comunidade convocada para a escutar; a sua proclamação é feita num lugar de relevo; o seu acolhimento faz-se de pé, de forma solene e em atitude de respeito; segue-se a sua explicação ou homilia com a interpelação à conversão e ao compromisso dos fiéis que a escutam; e culmina a celebração com a grande e alegre festa da comunhão do próprio Corpo e Sangue de Jesus.

A Palavra, a Boa Nova de Jesus Cristo é anunciada pelos «ministros sagrados» tendo por base o relato das testemunhas dos factos realmente ocorridos naquela altura da vida de Jesus.

 

A Boa Nova anunciada por testemunhas dos factos realmente ocorridos

 A parte principal desta passagem do Evangelho de S. Lucas é precedida pelo início duma introdução, onde o evangelista explica o método seguido na composição do texto.

Lucas diz que todos podem falar de Jesus, mesmo que não tenham sido testemunhas directas dos factos; basta que sejam fiéis à tradição. Ele acentua que procedeu a investigação cuidadosa sobre todas as circunstâncias em que aconteceram os factos; não foram sonhos, nem doutrinas filosóficas, tampouco revelações misteriosas, mas acontecimentos reais, que tiveram como protagonista um homem: Jesus de Nazaré. Acrescenta Lucas que se deixou guiar por uma única preocupação na escrita do seu Evangelho: transmitir fielmente o que lhe foi confiado pelos «ministros da Palavra». Ele não inventa nada, mas o seu objectivo, escreve, é conferir bases sólidas à fé dos cristãos das suas comunidades.

As verdades de fé podem ser confirmadas e demonstradas com provas evidentes? Não! Ninguém pode ser obrigado, por meio de raciocínios, a acreditar que Jesus é o Senhor. Todavia, a fé não é uma opção inocente feita por pessoas ignorantes e sem conhecimentos científicos. Há motivos que levam a aderir a Cristo. Para os aprender, responde Lucas, é necessário ler com atenção o seu Evangelho. É isso que somos convidados a fazer durante todo este ano litúrgico. 

Depois deste prólogo, Lucas quer dizer que Jesus se tornou o nosso mestre. Então, ele recorda o ambiente normal da liturgia do sábado na sinagoga de Nazaré, em que Jesus participava. É o próprio Jesus quem proclama e explica a Palavra de Deus. Jesus afirma que as profecias messiânicas estão a cumprir-se n’Ele: é o anúncio da Boa Nova da Salvação.

Jesus resumiu, naquela ocasião, o seu projecto em poucas palavras: libertação das pessoas de toda a espécie de escravidão. Agora é n’Ele e em mais ninguém que deve fixar-se o nosso olhar.

Nas nossas celebrações continuamos a ler o Antigo Testamento, porque é indispensável que nos ele nos prepare para escutar Jesus Cristo. Essas leituras têm a finalidade de nos conduzir a Ele, como missão a ser transmitida nos nossos dias a todos os homens.

 

Transmitida como missão nos nossos dias

 Devemos continuar a levar por diante o anúncio da Boa Nova de esperança com alegria e com o mesmo tipo de acção de Cristo. A nossa missão é abrir os olhos aos cegos e iluminar os que nem sequer têm condições para ver o estado de miséria em que vivem; ser compassivos, como o Mestre, com todas as formas de opressão; ajudar os mais pobres e desprotegidos a recuperar a sua dignidade, tantas vezes ofendida; ajudar os discriminados a conseguir reintegrar-se na comunidade…

S. Paulo lembrava, na segunda leitura, que a comunidade, à semelhança do corpo humano, é composta por muitos membros, cada um dos quais com a sua função. Ora, os membros duma comunidade devem comportar-se do mesmo modo. Cada um de nós desempenha o seu serviço para bem dos irmãos, consoante a sua capacidade, em unidade com toda a Igreja à volta do seu Pastor, sem competições ou invejas, nem tentando que o seu ministério lhes confira o direito de se sentirem superiores aos demais.

Estaremos conscientes da responsabilidade que corresponde a cada um no testemunho da missão que o Senhor nos confiou? Decerto que não temos pensado nisso e apenas olhamos para os nossos próprios projectos, olvidando os de Deus a nosso respeito.

Assumamos seriamente o compromisso pelo projecto de Deus e daquele que o Espírito nos vai sugerindo, como missão na nossa caminhada de difusão da Boa Nova de Jesus Cristo.

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