22 de dezembro -4º Domingo do Advento -Ano A

Jesus é chamado o Emanuel, Deus connosco. Peçamos a Nossa Senhora que nos ajude a preparar-nos bem para o Seu Natal, a acolhê-Lo com mais fé e amor.

Uma Virgem conceberá

Nos domingos anteriores do Advento apareciam-nos as figuras do profeta Isaías e de João Baptista a guiar-nos para Jesus. Neste domingo quarto a Igreja põe diante dos nossos olhos a Santíssima Virgem Maria e também S.José, Seu esposo. Com eles vamos preparar o nascimento do Deus Menino.

A primeira leitura e o Evangelho falam-nos do prodígio da virgindade de Nossa Senhora e da Sua maternidade divina.

Isaías anuncia a concepção virginal do Messias, prometido ao rei David como alguém da sua descendência.

Deus anima o povo de Judá, ameaçado pelo reinos vizinhos da Síria e da Samaria. O profeta diz ao rei Acaz que não tema e que peça a Deus um sinal de que a sua dinastia irá permanecer.

É o próprio Deus que promete um prodígio maravilhoso: uma virgem conceberá e dará à luz um filho e este chamar-se-á Emanuel. A célebre tradução dos Setenta, do hebraico para o grego, usa a palavra virgem no sentido próprio, referindo a concepção virginal.

No Evangelho S.Mateus explica como Deus concretizou esta promessa. Jesus nasce de Maria não pelo concurso de um homem mas por um milagre de Deus, pelo poder do Espírito Santo.

S.Lucas, no seu evangelho, relata a anunciação do Arcanjo S.Gabriel e a concepção virginal de Jesus. Ele havia de chamar-Se Filho do Altíssimo.

Nossa Senhora é verdadeira Mãe de Jesus, o Filho Unigénito de Deus nascido do Pai antes de todos os séculos. Foi Ela que Lhe deu a nossa carne humana e assim Ele se tornou igual a nós.

Ela foi virgem antes do parto, no parto e depois do parto. Antes do parto: estando casada com José, tinha prometido juntamente com ele viver uma vida de entrega total a Deus. Por isso pergunta ao Anjo na anunciação: – Como será isto se não conheço varão? (Lc, 1,34)

No parto manteve a Sua virgindade por um milagre de Deus, que o povo cristão exprime de maneira muito feliz: Jesus, alto sol da divina graça, entrou e saiu por Ela como o sol pela vidraça.

Foi virgem depois do parto, mantendo a promessa feita a Deus juntamente com José.

Alguns querem negar essa verdade argumentando que os Evangelhos falam dos irmãos de Jesus. O significado desta expressão é fácil de compreender: para os judeus a palavra irmãos abrangia as pessoas de família mais chegadas. Equivale a parente. Já no livro do Génesis, Abraão diz a seu sobrinho Lot: -porventura não somos irmãos? Por outro lado, se lermos com atenção os Evangelhos, descobrimos os nomes do pai e mãe de alguns dos chamados irmãos de Jesus.

Diz o Catecismo da Igreja Católica: “O aprofundamento da fé na maternidade virginal levou a Igreja a confessar a virgindade real e perpétua de Maria, mesmo no parto do Filho de Deus feito homem. Com efeito, o nascimento de Cristo «não diminuiu, antes consagrou a integridade virginal» da sua Mãe. A Liturgia da Igreja celebra Maria como “Aeiparthenos”, a «sempre Virgem».” (499).

O Papa Paulo V afirmava: “A bem-aventurada Virgem Maria foi verdadeira Mãe de Deus, e guardou sempre íntegra a virgindade, antes do parto, no parto e constantemente depois do parto” (DS 993]).

Nossa Senhora é para nós não apenas exemplo de pureza sem mancha mas também de amor sem reservas a Deus, a quem deseja entregar totalmente o Seu ser. Não era costume em Israel essa consagração da virgindade. Pelo contrario, todas as jovens ansiavam vir a ser a mãe do Messias, pelo casamento.

Entre os primeiros cristãos surgiriam rapidamente muitas mulheres a imitar o exemplo de Nossa Senhora. S.Paulo, ao escrever aos cristãos de Corinto, exalta o caminho da virgindade.

Renunciando à maternidade no matrimónio Deus chamou a Virgem a colaborar no nascimento de todos os homens para a vida sobrenatural, tornando-A nova Eva, mãe de toda a humanidade resgatada.

Deus connosco

Jesus é chamado Emanuel, Deus connosco. Ao nascer da Virgem Maria tornou-Se verdadeiro homem, igual a nós em tudo menos no pecado.

Vamos celebrar o Seu nascimento em Belém há dois mil anos. Vamos contemplá-Lo nos braços de Maria. Nasceu como um menino, quis precisar dos cuidados de Maria e de José.

Ele é verdadeiro Deus, igual ao Pai. É “Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro”, como definiu o Concílio de Niceia, em 325, para responder à heresia de Ario.

Incarnou para nos salvar, tornando-nos participantes da natureza divina. Fez-se homem para nos tornar filhos de Deus.

É o Filho de Maria, igual a nós. Diz o Catecismo da Igreja Católica: “Jesus é o filho único de Maria. Mas a maternidade espiritual de Maria estende-se a todos os homens que Ele veio salvar: «Ela deu à luz um Filho que Deus estabeleceu como “primogénito de muitos irmãos” (Rm 8, 29), isto é, dos fiéis para cuja geração e educação Ela coopera com amor de mãe» (501).

Conta o célebre escritor inglês, Chesterton, que num dia frio e enevoado viajava num autocarro com bastantes passageiros. Todos tristonhos e calados. Numa paragem entrou uma mulher jovem com um menino muito bonito nos braços. A mãe era tão simpática e o menino tão engraçado e a comunicação entre ambos tão alegre que a alegria se foi contagiando por todo o autocarro. Daí a pouco os passageiros falavam e riam e a alegria enchia o ambiente. E Chesterton comentava: na viagem da humanidade pelo mundo tudo era tristeza e aborrecimento. Mas um dia subiu ao carro da vida uma Mãe com um Menino maravilhoso. Foi um 25 de Dezembro. Jesus apareceu nesta terra nos braços de Maria Sua Mãe. E tudo mudou.

Jesus continua a ser o Emanuel, o Deus connosco, alguém que vive a nosso lado, que é nosso amigo. Encontramo-Lo na Eucaristia. Está aqui connosco. Podemos adorá-lo. Podemos recebê-Lo como alimento. E Ele é a fonte da alegria.

Aproveitemos o Natal para limpar bem a nossa alma, o nosso coração, recorrendo ao sacramento da Penitência. Na confissão varremos o lixo da nossa alma, para que possa acolhê-Lo mais dignamente. Se estivermos em pecado mortal, fechamos –Lhe as portas, como as gentes de Belém, há dois mil anos.

Mas não basta tirar os pecados mortais. Temos de limpar bem o outro lixo, os pecados veniais, a poeira das nossas faltas de todos os dias e adornar a nossa alma com a pureza, a humildade, e a caridade. Nossa Senhora quer ajudar-nos a acolher o Seu Filho, para que seja de facto o Deus connosco.

José recebeu sua esposa

José foi o pai de Jesus à face da lei. Deus quis assim dar a Maria um apoio forte nas dificuldades. Foi um marido dedicado, cheio de amor e respeito diante das maravilhas que Deus quis realizar em sua esposa virginal e toda santa.

Por ele – diz-nos o Evangelho de S.Mateus – se cumpriu a profecia de que Jesus seria descendente do rei David.

Foi também ele pai virginal. Não pai segundo a carne, mas segundo o espírito, amando a Jesus mais do que os pais da terra amam os seus filhos.

Protegeu-O, sustentou -O, ensinou -Lhe as coisas humanas.

E Jesus quis obedecer-lhe durante os anos de vida oculta. e amou-o como o melhor dos filhos.

E constituiu-o pai de todos os que estão unidos a Ele pelo baptismo. S.José, como os antigos patriarcas, tem uma família muito grande de que ele cuida com amor. A Igreja proclamou-o seu patrono. Lá do céu ele continua a olhar por esta família, prolongamento da Família de Nazaré.

Saibamos recorrer à sua intercessão e pedir-lhe nos ensine a amar a Jesus como Ele O amou.

“Tendo trato de amizade com ele – dizia S.Josemaria – descobre-se que o Santo Patriarca é também Mestre de vida interior: porque nos ensina a conhecer Jesus, a conviver com Ele, a saber-nos parte da família de Deus. S.José dá-nos essas lições sendo, como foi, um homem corrente, um pai de família, um trabalhador que ganhava a vida com o esforço das suas mãos” (Cristo que passa, 39 ).

Com Maria e José aprendamos acolher bem a Jesus, a dar-Lhe pousada em nosso coração.

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