19 de abril de 2015 – 3º Domingo da Páscoa – Ano B

É muito comum a tendência nas pessoas para reduzir a religião a um problema de âmbito privado que se mantém prisioneiro dentro das paredes do quarto de cada um. É proibido deixá-lo sair de lá para a vida de família, para o trabalho ou na atuação da vida civil e política.

É como se a pessoa humana se pudesse dividir em duas partes incomunicáveis entre si, de modo que o homem religioso nada tem a ver com aquele que se movimenta na vida diária.

Também os cristãos não escapam a esta mentalidade errada.

A Liturgia deste 3º Domingo da Páscoa vem recordar-nos, uma vez mais, que em virtude do nosso Batismo, temos uma responsabilidade inalienável na construção de um mundo mais humano e, por isso mais feliz.

Testemunhas de Cristo Morto e Ressuscitado

Depois do milagre que restituiu a capacidade de andar ao paralítico, Pedro, em nome da Igreja, dá solene testemunho de Cristo. «O Deus de Abraão, de Isaac e Jacob, o Deus de nossos pais, glorificou o seu Servo Jesus».

Ele apresenta-se na primeira leitura com algumas caraterísticas indispensáveis a todo o testemunho.

As obras como sinais: «Os coxos andam». As pessoas, hoje como ontem, estão fartas de discursos. Passa frequentemente às suas portas muita gente que diz falar em nome de Jesus, do verdadeiro Deus.

Parecem gritar-nos: «mostrai-nos com as vossas vidas que Jesus Cristo não é um mito, um fruto da imaginação, mas vive!»

Que sinais apresentamos de que o encontro dominical com Ele transforma as nossas vidas?

O nosso interesse pelos outros deve levar-nos a ajudá-los a receber a cura da paralisia que os impede de seguir Jesus Cristo pelos caminhos da vida. Não podemos viver o nosso cristianismo como algo privado. Devemos transparecer Cristo na nossa vida.

Um testemunho humilde. Não foi Pedro nem os companheiros que restituíram o movimento a este paralítico. Mas Jesus Cristo. Ele não se apropria da glória que só a Deus pertence.

Muitas vezes a vida cristã entorpece e o nosso apostolado não resulta, porque Deus não quer colocar-se ao serviço da nossa vaidade.

Se não tivermos cuidado, acabaremos por nos comportarmos de tal modo que as pessoas reparem mais em nós do que em Jesus Cristo, como se todo o êxito se ficasse a dever exclusivamente à nossa inteligência e habilidade. O nosso lema deve ser fazer o bem e não olhes a quem.

Fala com fortaleza. Não se limita a dizer o que os seus ouvintes gostariam de ouvir. O médico não pode dizer ao doente que tudo está bem e que nõ precisa de qualquer tratamento. Negastes o Santo e o Justo e pedistes a libertação dum assassino; matastes o autor da vida, mas Deus ressuscitou-O dos mortos.

As pessoas esperam de nós que lhes digamos a verdade toda, sobre os problemas da fé e da moral, e não toleram que as confundamos de tal modo que, ao final, não ficam a saber se é sim ou não.

Quando estamos exclusivamente preocupados com o nosso nome, a nossa imagem, deturpamos o testemunho e a mensagem não é entendida.

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