Home | Noticias | 15 de fevereiro de 2015- 6º Domingo do Tempo Comum – Ano B

15 de fevereiro de 2015- 6º Domingo do Tempo Comum – Ano B

Nos últimos domingos temos vindo a ler S. Marcos que nos conta o ministério de Jesus na Galileia. A ação apostólica, o poder e as curas realizadas por Jesus, sua vida e na ida à sinagoga de Cafarnaum. Eis o poder, a bondade e a liberdade de Jesus em relação à Lei. E a proposta de uma opção séria e decidida de modo a ajudar-nos a tirar proveito desta celebração em que temos Jesus connosco. Ele está no meio de nós. Possa cada um viver com maior intensidade a graça deste encontro e banquete divino, e a nossa missa torna-se uma fonte de alegria e de esperança.

Missão salvadora

A realidade mostra-se nos um mundo tocado por sombras, perigos e doenças que ferem e fazem sofrer. A dor acompanha a humanidade no decurso da história. Na Bíblia o mal físico, a doença e a lepra esperam um libertador. Esse libertador é anunciado como o Messias. Quando Jesus começa a pregar o Reino vem como o Messias anunciado e os evangelistas salientam essa circunstância. Jesus vem e prova o seu poder sobre as doenças, a lepra e o pecado de que Ele quer salvar o homem. O evangelista realça o poder divino de Jesus, a sua bondade e a sua atenção aos que sofrem como no caso do leproso que se aproxima do divino Taumaturgo. Jesus deixa-se tocar pelo leproso e este fica curado e vai anunciar o que lhe aconteceu e a missão salvadora de Jesus é divulgada por toda a parte.

O passado torna-se atual hoje na nossa vida e na vida dos irmãos para interiorizar a presença de Jesus vivo e atual a propor ao mundo contemporâneo a lançar-se para o futuro que nos espera.

Na Igreja cada cristão é uma profecia do futuro ao receber e anunciar na vida pessoal e comunitária o tesouro da graça. A doença e a lepra é a imagem do pecado que Jesus vem curar, do qual todo o cristão pode purificar-se deixando-se tocar por Jesus, aceitando essa missão salvadora, essa tarefa nobre que ninguém pode deixar para os outros. Ouve-se tantas vezes falar na falta de colaboradores nas tarefas da Igreja. Talvez a razão é a falta de fé e de coragem, ao contrário do leproso que se aproximou de Jesus. Há muito respeito humano, mesmo a encobrir virtudes e qualidades bem nobres de tantos cristãos. É preciso não ter medo, difundir por toda a parte os dons de Deus, sentir e mostrar a alegria de pertencer ao povo de Deus, a Igreja dos nossos dias, da nossa vida, a nossa Igreja do tempo em que vivemos. A missão do Salvador continua.

A doença espiritual

As realidades físicas, sensíveis aos sentidos, referidas nos livros santos, particularmente na 1.ª leitura e no Evangelho de hoje, são imagem de realidades espirituais mais profundas. O pecado é a maior doença espiritual. A vida em Deus e para Deus é muitas vezes dificultada pelo pecado. Urge falar de pecado nas suas diversas vertentes, sempre como desobediência a Deus e atentado à dignidade humana. Os mandamentos e a consciência tornam-se norma de vida quando o cristão bem esclarecido e de boa vontade quer escutar Deus. Não foge d’Ele e segue as exortações que lhe são dirigidas, quer pela própria consciência, quer pelas exortações da Igreja, quer pela leitura atenta dos Livros Santos e a escuta desta mensagem hoje apresentada a toda assembleia cristã.

A vida corporal é sustentada pelo alimento material. A vida espiritual deve ser alimentada por Cristo e todos os seus dons. A oração e louvor à Santíssima Trindade, a reconciliação permanente ao amor de Deus, que tendo criado o mundo e o homem, vem ter connosco na pessoa de seu Filho vivo e ressuscitado no meio de nós aqui e agora, na vida de cada um a realizar o seu ministério, a curar da doença espiritual que nos ameaça. Com Ele a força e a vida que purifica do pecado e vence toda a doença espiritual que nos aflige.

O poder divino

A lepra é considerada como uma impureza que isola da comunidade. Jesus mostra que este sistema de exclusão esmaga as pessoas e pelo seu gesto e poder divino, pela sua palavra soberana purifica o leproso e reintegra-o na sociedade. Ele envia o leproso aos sacerdotes, não para cumprir prescrições de ritual dos judeus, mas para confirmar a sua reinserção. Sobretudo manifesta o seu poder divino. Esta passagem do Evangelho realça algumas atitudes de Jesus: Compadecido, estendeu a mão… e curou-o. A recusa de Jesus em relação à publicidade da cura não é que Jesus se queira esconder. Ele quer dar tempo a que os circunstantes se apercebam do seu poder divino e da sua misericórdia para com os humildes.

De resto não são os gestos rituais e formais que têm valor diante de Cristo, mas a decisão humilde e confiante do leproso que faz Jesus compadecer-se e responder ao seu pedido. A purificação ritual pode não corresponder à purificação do coração se não é verdadeira e sincera. É o sentido da grandeza e santidade de Deus que converte e purifica o homem.

Paulo recomenda-nos na 2.ª leitura: Fazei tudo para glória de Deus.

Check Also

Arte de Amar Ecológica

Excerto adaptado incluido no livro “Ética Relacional: um caminho de sabedoria”, UCEditora, 2017. Quando é …