12 de julho de 2026 – 15º Domingo do Tempo Comum – Ano A | Até mesmo no pecador mais calejado está presente o terreno fértil e recectivo à Palavra de Deus.

Que confiança oferece a palavra do homem?
Não muita. Desconsolado e desiludido, o salmista dizia: «A lealdade desapareceu de entre os filhos dos homens. Mentem uns aos outros, na sua língua só há engano, só há duplicidade no seu coração». Hoje em dia, a palavra continua a não ter muito valor: não se acredita em promessas, só há garantias de cumprimento quando os acordos são escritos e assinados; «factos, não palavras» é uma expressão que muitas vezes se ouve.
É também assim a Palavra de Deus?
No primeiro capítulo do Génesis é repetido 10 vezes este refrão: «Deus disse… e assim aconteceu». «A palavra do Senhor criou os céus. Ele disse e tudo foi feito, Ele ordenou e tudo foi criado». A sua palavra não é como a do homem; é viva e eficaz, faz aquilo que anuncia, não mente nem desilude.
Através de visões, êxtases, arrebatamentos, transes paroxísmicos; a espiritualidade bíblica põe em primeiro lugar a escuta, porque está certa de poder depositar uma confiança absoluta na palavra do Senhor.
«Escuta, Israel» – é a oração preferida pela piedade judaica. «Ouvi a palavra do Senhor» – recomendam os profetas. «O Senhor não se compraz tanto nos holocaustos e sacrifícios como na obediência à sua palavra» – «Não quiseste sacrifícios nem oblações, mas abriste-me os ouvidos para escutar» afirma o salmista.
Na Bíblia, escutar não significa receber uma comunicação ou uma informação, mas aderir a uma proposta, acolher, guardar no próprio coração e pôr em prática. Equivale a depositar confiança em Deus.
Quem escuta a sua palavra com estas disposições, é bem-aventurado.

Os quatro tipos de terreno
A aplicação da analogia à vida da comunidade tem por finalidade ajudar os discípulos a identificarem as dificuldades que a palavra de Deus encontra em cada um. A escassez de resultados não depende da semente ou do semeador, mas do tipo de terreno.
Há antes de mais um coração duro, que o é – como o terreno de um caminho – porque muitas pessoas o calcaram. Representa o coração impenetrável à palavra de Cristo porque assimilou o modo de pensar deste mundo, adaptou-se à moral corrente, fez seus os valores propostos pelos homens. Este é o maligno, o demónio devastador que se insinua nos pensamentos e nos sentimentos tornando-os mesquinhos, frívolos, enchendo-os de propostas de vida insensatas, de raciocínios desajuizados.
Há depois um coração inconstante, que se entusiasma facilmente, mas que depois, passados poucos dias, volta a ser o que era. É como uma pedra coberta por uma pequena camada de terra: lança-se uma semente, esta germina, mas seca logo.
Há também um coração inquieto que se agita por problemas deste mundo, que vai atrás do sucesso e da riqueza, que alimenta sonhos mesquinhos. Estas preocupações são como os espinhos: sufocam a semente da palavra.
Por fim, há um coração bom, no qual o Evangelho produz frutos em abundância.
Não se trata de quatro categorias de pessoas, mas de quatro atitudes interiores que se encontram, em proporções diferentes, em cada pessoa. É inútil que o evangelizador, para lançar a preciosa semente da palavra, fique à espera de encontrar o terreno ideal, aquele perfeitamente fecundo. Terra boa, espinhos, pedras e terra árida sempre estarão juntos. Para alguns, isto poderá ser motivo de desencorajamento, mas para os verdadeiros apóstolos, para os catequistas autênticos isto será um estímulo para uma sementeira ainda mais abundante. Muitos esforços serão vãos, mas um dia, pontualmente, a espiga irá aparecer, em cada pessoa.

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