12 de abril de 2026 – 2º Domingo da Páscoa | Domingo da Divina Misericórdia

O trecho de hoje está dividido em duas partes, que correspondem às aparições do Ressuscitado. Na primeira, Jesus comunica aos discípulos o seu Espírito e com ele dá-lhes o poder de vencerem as forças do mal. É o mesmo trecho que encontraremos e comentaremos no Pentecostes. Na segunda parte, é relatado o famoso episódio de Tomé.
A dúvida deste Apóstolo tornou-se proverbial. A quem manifesta alguma desconfiança é costume dizer-se: «És incrédulo como Tomé!» e, no entanto, se virmos bem, não parece ter feito nada de mal: pedia apenas para ver aquilo que os outros tinham visto. Por que motivo pretender apenas dele uma fé baseada na palavra?
Mas terá sido Tomé o único a ter dúvidas, enquanto os outros discípulos acreditaram de forma fácil e imediata no Ressuscitado? Não parece mesmo nada que as coisas tenham sido assim.
No Evangelho de Marcos, diz-se que Jesus apareceu aos «onze» e censurou-os pela sua incredulidade e dureza de coração, porque não tinham acreditado naqueles que o tinham visto ressuscitado. No Evangelho de Lucas, o Ressuscitado dirige-se aos Apóstolos surpreendidos e assustados e pergunta: «Porque estais perturbados e por que surgem tais dúvidas nos vossos corações?». Na última página do Evangelho de Mateus diz-se mesmo que, quando Jesus apareceu aos discípulos num monte da Galileia (portanto muito tempo depois das aparições em Jerusalém), alguns ainda duvidavam.
Portanto, todos duvidaram, não apenas o pobre Tomé! Então por que motivo o evangelista João parece querer concentrar sobre ele todas as dúvidas que, no entanto, atormentaram também os outros? Procuremos entender.
Quando João escreve (por volta do ano 95 d.C.) Tomé já morreu, faz tempos, portanto, o episódio não é certamente referido para pôr em má luz este Apóstolo. Se são postos em relevo os problemas de fé que ele teve, a razão é outra: o evangelista quer responder às interrogações e às objeções que os cristãos da sua comunidade levantam com crescente insistência. Trata-se de cristãos da terceira geração, de pessoas que não viram o Senhor Jesus. Muitos deles não conheceram sequer alguns Apóstolos. Têm dificuldade em acreditar, debatem-se com muitas dúvidas, gostariam de ver, tocar, verificar se o Senhor verdadeiramente ressuscitou. Perguntam-se: quais são as razões que nos podem induzir a acreditar? É ainda possível para nós fazer a experiência do Ressuscitado? Há provas de que Ele esteja vivo? Por que é que já não aparece? São as perguntas que também hoje nós fazemos. A estas Marcos, Lucas e Mateus respondem dizendo que todos os Apóstolos tiveram hesitações. Acreditar no Ressuscitado não foi fácil imediato. Também para eles o caminho da fé foi longo e fatigante, não obstante Jesus tivesse dado muitos sinais de que estava vivo, de que tinha entrado na glória do Pai.
A resposta de João é diferente. Ele coloca Tomé como símbolo da dificuldade que cada discípulo encontra para chegar a acreditar na Ressurreição de Jesus. É difícil saber por qual razão ele ele escolheu precisamente este Apóstolo. Talvez porque tenha tido mais dificuldade ou tenha precisado de mais tempo do que os outros para ter fé.
Aquilo que João quer ensinar aos cristãos das suas comunidades e a cada um de nós hoje é isto: o Ressuscitado possui uma vida que escapa aos nossos sentidos, uma vida que não pode ser tocada com as mãos nem vista com os olhos. Só pode ser alcançada mediante a fé. Isto é válido também para os Apóstolos que, no entanto, fizeram uma experiência única do Ressuscitado.
Não se pode ter fé naquilo que se viu. Não se podem ter demonstrações, provas científicas da ressurreição. Se alguém pretende ver, constatar, tocar então deve renunciar à fé.

Nós dizemos: «Felizes aqueles que viram» Para Jesus, pelo contrário, felizes são aqueles que não viram. Não porque lhes custe mais acreditar e assim tenham méritos maiores. São felizes porque a sua fé é mais genuína, mais pura, ou melhor, é a única fé pura. Quem vê tem a certeza da evidência, possui a prova incontestável de um facto.
É útil lembrar quanto Jesus diz na parábola do Bom Pastor: «As minhas ovelhas escutam a minha voz». Não são precisas aparições! No Evangelho ecoa a voz do Pastor e, para as ovelhas que lhe pertecem, o som da sua voz é suficiente para que o reconheçam e sejam atraídas por Ele.
Mas onde se pode escutar esta voz? Onde ecoa esta palavra? É possível repetir hoje a experiência que os Apóstolos fizeram no dia de Páscoa e uma semana mais tarde? Como?
Teremos certamente notado que ambas as aparições acontecem ao domingo. Teremos notado também que aqueles que fazem a experiência do Ressuscitado são os mesmos, que o Senhor se apresenta com as mesmas palavras: «A paz esteja convosco» e que em ambos os encontros Jesus mostra os sinais da sua paixão. Haveria ainda outros pormenores, mas bastam estes quatro para nos ajudarem a responder às perguntas que acabamos de colocar.
Os discípulos estão reunidos em casa. O encontro a que João alude é nitidamente o que acontece no Dia do Senhor, aquele em que, de oito em oito dias, toda a comunidade é convocada para a celebração da Eucaristia. Quando todos os crentes estão reunidos, aparece o Ressuscitado. Ele, pela boca do celebrante, saúda os discípulos e deseja, como na tarde do dia de Páscoa e uma semana depois: a paz esteja convosco.

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