O Reino de Deus constitui o motivo central da pregação de Jesus. Ele dá início à vida pública anunciando: «O Reino de Deus está próximo»; depois, servindo-se de muitas parábolas, vai desvendando gradualmente «os seus mistérios». A parábola dos trabalhadores da última hora é certamente a mais desconcertante. Jesus contou-a para pôr em relevo quer a gratuidade do chamamento quer o empenho fiel que é pedido a quem entra no Reino de Deus. Não se pode negar que é fatigante permanecer fiel a Cristo. E se o ser-se discípulo comporta um esforço notável, como não considerar justificadas as queixas dos operários que começaram a trabalhar às seis da manhã e foram retribuídos da mesma forma que os outros que chegaram às cinco da tarde?
Se a relação com Deus for vista em termos de trabalho remunerado sem equidade, se o prémio que se recebe no Paraíso não for proporcional aos méritos acumulados, então é de pensar que é feliz aquele que põe os pés no Reino dos Céus apenas no último momento, aquele que tem a sorte de «morrer na graça de Deus» depois de «ter gozado a vida» longe dele.
É esta a mentalidade que cria o desinteressado (aquela pessoa que se desinteressa dos convites à fé), o atrasado (quem se compromete o mais tarde possível), o obstinado (que observa os mandamentos com muito esforço e por medo de ir para o Inferno), o maltrapilha (a pessoa batizada que continua a comportar-se como pagã). Só quem entendeu que o Reino de Deus é uma festa, é um banquete, é que entra decidido e sem demoras, porque não quer perder nenhum instante da alegria que lhe é oferecida.
A vida nova do Cristão é comparada muitas vezes, no Novo Testamento, a uma veste nova, que é vestida no dia do Batismo. Não basta ter recebido o sacramento, é preciso assumir um comportamento completamente diferente. Não nos podemos apresentar com os farrapos da vida antiga: os adultérios, as faltas de honestidade, as deslealdades, a dissolução moral. Não nos podemos contentar em coser um pedaço de pano novo na veste velha. É preciso renovar completamente o enxoval, é preciso orientar a vida por valores completamente novos.
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