No tempo de Jesus, muitas seitas religiosas praticavam o batismo. O rito tinha muitos significados, mas um tinha particular importância: (a sua vida passada era apagada, como se fosse arrastada pela corrente) e com a emersão dava-se o nascimento de um homem novo ao qual, naturalmente, era dado um novo nome.
João fazia esta cerimónia para acolher todos aqueles que queriam fazer parte dos seus discípulos. Batizava quem tomava a decisão de mudar de vida para se preparar para a vinda do messias, anunciada como iminente. A primeira condição para receber o batismo era reconhecer-se pecador, era por este motivo que os fariseus e os saduceus, que se consideravam justos e sem pecado, achavam não precisar dele.
Se era este o significado do batismo de João, não se compreende por que razão Jesus o recebeu; Ele não devia mudar de vida e o seu gesto podia dar a ideia que João lhe fosse superior. Para esclarecer este ponto difícil, muito sentido entre os primeiros cristãos, Mateus introduz no episódio o diálogo entre o Baptista – que se recusa a batizar alguém superior a ele – e Jesus, que insiste para que se cumpra «toda a justiça». João tem que se adequar e colaborar na realização do projeto de salvação de Deus (é esta a justiça), mesmo que para ele apresente aspectos misteriosos e incompreensíveis.
Até mesmo uma pessoa espiritualmente madura, como o Baptista, encontra dificuldade em aceitar o messias de Deus: fica surpreendido quando vê o santo, o justo, lado a lado com aqueles pecadores que, de acordo com a lógica dos homens, deviam ser aniquilados.
É a nova e desconcertante «justiça» de Deus. É a «justiça» daquele que «quer que todos os homens sejam salvos». O autor da carta aos Hebreus irá evocar esta verdade consoladora em termos comoventes: Cristo não se envergonha de chamar «irmãos» aos homens pecadores.
É um convite dirigido às comunidades cristãs de hoje, para que revejam as atitudes das quais transparece a arrogância, a presunção, a complacência pela própria justiça, e para que corrijam uma linguagem que pode dar a ideia de se querer julgar, condenar, marginalizar quem errou ou erra.
Depois desta introdução original, também Mateus, como Marcos e Lucas, descreve a cena sucessiva com três imagens: o céu que se abre, a pomba, a voz do céu. Não pretende lembrar factos prodigiosos aos quais assistiu pessoalmente. Utiliza imagens bem conhecidas dos seus leitores, e o seu significado não é difícil de colher também para nós, hoje.
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