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1 de novembro -Solenidade de Todos os Santos

Celebramos hoje a festa de Todos os Santos. Alegramo-nos com a vitória de tantos irmãos e irmãs que já chegaram à meta e nos animam, agora, a todos nós.

Com Cristo e em Cristo, aqui connosco, podemos também nós ser santos. É isso que conta de verdade cá na terra.

1) Vi uma multidão imensa

Alguém perguntou um dia a Jesus: – Senhor, são muitos os que se salvam?

Jesus não respondeu directamente, mas avisou: “entrai pela porta estreita, porque são muitos os que seguem pelo caminho largo que leva à perdição” ( Mt 7,13 ).

O caminho do Céu exige luta, exige sacrifício. Mas hoje o Senhor faz-nos contemplar a multidão imensa de todos os povos e línguas, que ninguém podia contar e que aclamam, no Céu, a Deus e ao Cordeiro, que está aqui connosco. Eles já venceram e animam-nos a chegar onde se encontram.

Vale a pena lutar por amar a Deus neste mundo, vale a pena ser santo.

Conta-se na vida de Lutero, fundador do protestantismo, que estava um dia à noite com a mulher com quem vivia na varanda de sua casa. Disse-lhe ela: – que belo é o céu! E ele respondeu: – é belo, mas não é para nós.

O céu é belo e é para nós todos, pois “Deus quer que todos se salvem – diz S.Paulo – e cheguem ao conhecimento da verdade”(1 Tim 2,4).

Mais ainda, Deus quer que sejamos santos a valer.

Todos somos chamados à santidade. O Papa S.João Paulo II, na carta Novo Milénio, de 6 de Janeiro de 2001, ao encerrar o Jubileu do ano 2000,veio lembrar a todos os cristãos que temos de pôr a meta muita alta. “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (1 Tess 4,3). É um compromisso que diz respeito não apenas a alguns, mas ‘os cristãos de qualquer estado ou ordem são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade’ (L.G.40)” (Carta Novo Milénio,30).

E continua: “Seria um contra-senso contentar-se com uma vida medíocre, pautada por uma ética minimalista e uma religiosidade superficial…Agradeço ao Senhor por me ter concedido, nestes anos, beatificar e canonizar muitos cristãos, entre os quais numerosos leigos que se santificaram nas condições comuns da vida. É a hora de propor de novo a todos com convicção, esta ‘medida alta’ da vida cristã comum; toda a vida da comunidade eclesial e das famílias cristãs deve apontar nesta direcção” (Ibid.,31).

Desde 1928 S. Josemaria Escrivá foi apregoando esta chamada de todos à santidade. Alguns chamaram-lhe herege, pensando que a santidade era só para frades e freiras. Esta mentalidade pode continuar metida em muitos cristãos, que acham que a santidade não é para eles. A festa de hoje lembra-nos que todos somos chamados para o céu, que todos somos chamados a ser santos.

2) Lavaram as túnicas no sangue do Cordeiro

Jesus é a fonte da santidade. Os eleitos “lavaram as suas túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro” (1ª leit.). O Seu sangue divino mereceu-nos toda a graça. Ela chega até nós por meio dos Sacramentos. É neles que vamos beber a graça abundante que nos santifica, nos fortalece, nos cura, nos anima para a luta.

O Baptismo deu-nos a graça santificante, fez-nos santos com essa santidade inicial que tem de se desenvolver até ao último instante da nossa vida.

Jesus deu-nos, pelo Baptismo, o Espírito Santo. Ele está em nós para nos fazer santos. É essa a Sua tarefa em nossa alma. E realiza-a com as Suas inspirações, com a nossa cooperação livre e com a abundância de graça que faz chegar até nós pelos sacramentos e pela oração. Pela confissão lava-nos, cura-nos as feridas e fortalece-nos para a luta contra as tentações. O sacramento da Reconciliação joga um papel fundamental na luta pela santidade. S.João Paulo II diz, na Carta Novo Milénio: “Solicito uma renovada coragem pastoral para, na pedagogia quotidiana das comunidades cristãs, se propor de forma persuasiva e eficaz a prática do sacramento da Reconciliação” (Ibid.,37).

Na Exortação Reconciliação e Penitência lembrou: “É necessário continuar a atribuir grande valor ao Sacramento da Penitência e educar os fiéis a recorrerem a ele mesmo só para os pecados veniais, como atestam a tradição doutrinal e a prática já seculares” E mais abaixo. “A celebração deste sacramento torna-se para todos os cristãos ’ocasião e estímulo a conformarem-se mais intimamente com Cristo e a tornarem-se mais dóceis à voz do Espírito Santo’(Ordo Penitentiae,17) (Exort.Reconc. e Penit.,32). Afirma também na mesma exortação: “Desejo prestar homenagem à inumerável pléiade de confessores santos, quase sempre anónimos, a quem se ficou a dever a salvação de tantas almas, por eles ajudadas na conversão, na luta contra o pecado e as tentações, no progresso espiritual, numa palavra, na santificação. Não hesito afirmar que os grandes santos canonizados saíram geralmente dos confessionários e, além dos santos, também o património espiritual da Igreja e o próprio florescimento da civilização impregnada de espírito cristão” (Ibid.,29).

A Confissão leva, por sua vez, à frutuosa celebração da Eucaristia. Por ela cada cristão se vai transformando em Cristo. Se, ao comer, os alimentos se transformam em nossa carne, na comunhão é ao contrário. Somos nós a transformar-nos nEle, a identificar-nos com Ele. “Quem come a minha carne e bebe o Meu sangue permanece em Mim e Eu nele” (Jo 6,56).

3) Somos filhos de Deus

“Somos filhos de Deus” – dizia o Senhor, pela boca de S.João. E somo-lo de verdade.”

A vida do cristão tem de estar centrada nesta realidade. A graça tornou-nos filhos de Deus, no Baptismo. O Espírito Santo está em nós e ensina-nos a tratar a Deus como filhos de pequenos.” Porque sois filhos, Deus mandou aos vossos corações o Espírito de Seu Filho, que clama: Abbá, Pai’ “(Gal.4, 6). Podemos chamar a Deus Abbá, papá, paizinho.

O Espírito Santo leva-nos a portar-nos como filhos de Deus, imitando a Jesus nosso irmão mais velho. Os santos foram santos porque copiaram a Cristo.

Porque somos filhos de Deus somos felizes neste mundo, mesmo no meio de sofrimentos. Porque tudo está nas mãos do nosso Pai Deus e “tudo concorre para o bem dos que O amam” (Rom 8, 28).

As bem-aventuranças falam-nos da felicidade neste mundo por caminhos contrários à mentalidade vigente. Bem-aventurados os pobres de espírito… Bem-aventurados os humildes…Bem-aventurados os que choram…Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça…Bem-aventurados os misericordiosos…Bem-aventurados os puros de coração …Bem-aventurados os que promovem a paz…Bem-aventurados os que sofrem perseguição…

Alegria não falta aos que põem em Deus a sua esperança e que procuram agradar-Lhe só a Ele. Os santos foram, na terra, as pessoas mais felizes. S.Teresa de Ávila fala, no livro da sua vida, das doenças e muitos sofrimentos e calúnias que Deus permitiu, mas exclama a seguir: – “Senhor, ou sofrer ou morrer”.

Que a Virgem, Rainha de todos os santos, nos anime a lutar pela santidade heróica, a que são chamados todos os cristãos.

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