Carmelo algarvio assinalou abertura das comemorações do V Centenário doNascimento de Sta. Teresa de Jesus

O Carmelo algarvio de Nossa Senhora Rainha do Mundo, no Patacão, concelho de Faro, assinalou esta manhã a abertura do ano de comemorações (15 de outubro de 2014 e 15 de outubro de 2015) do V Centenário do Nascimento de Santa Teresa de Ávila (1515-2015), também conhecida como Santa Teresa de Jesus.

A comunidade algarvia das irmãs Carmelitas Descalças assinalou o início deste ano decretado pelo Papa, com a celebração da eucaristia, presidida pelo bispo do Algarve, na capela do seu convento.

D. Manuel Quintas evidenciou que estas efemérides devem constituir “um estímulo e um apelo mais forte e mais firme” ao enriquecimento “com o dom que Deus concedeu a Santa Teresa”. “Esta eucaristia, para além de exprimir a gratidão e a ação de graças pelo dom de Santa Teresa, deve significar também para todos nós maior disponibilidade interior e uma maior disposição para acolher a sabedoria da verdadeira vida que Santa Teresa descobriu e nos deixou”, sustentou.

Neste sentido, o prelado afirmou que os cristãos não devem considerar-se apenas “privilegiados” por viverem nesta altura, mas por poderem “usufruir de todas as iniciativas que se realizarão ao longo deste ano, no sentido de conhecer melhor e viver a espiritualidade e o testamento de vida e de santidade que Teresa de Ávila legou”.

D. Manuel Quintas destacou que “Santa Teresa percorreu o caminho da verdadeira sabedoria”. “A oração contemplativa foi a sua companheira de viagem, conduziu-a com grande profundidade ao conhecimento e ao encontro com Deus. Amou apaixonadamente a sabedoria que só Deus possui, nunca se sentindo dela saciada, mas antes constantemente impelida a subir sempre mais na compreensão do seu mestre e Senhor”, complementou, considerando que “falar de Santa Teresa de Ávila é falar da oração como caminho para entrar no «átrio» que conduz ao conhecimento do mistério de Deus, manifestado plenamente em Cristo”.

“Santa Teresa revela plenamente um coração apaixonado pelo Pai a quem ama como filha e ao qual trata como papá ou paizinho, com todo o sentido de intimidade, familiaridade e ternura. Pela oração e contemplação descobre e cresce numa relação de profunda proximidade e encontro como expressão de confiança e amizade, sentimentos humanos que conduzem a Cristo”, acrescentou o bispo do Algarve.

D. Manuel Quintas disse ainda que ser santo é “vocação de todos e não apenas privilégio de alguns”. “Deus dá a cada um o que cada um precisa para ser santo, mas podemos aproveitá-lo ou não. Naturalmente que aqueles que acolheram esse dom de Deus são para nós modelo e estímulo como é Teresa de Ávila”, referiu.

“É fundamental que aproveitemos da celebração deste quinto centenário e também do Ano de Vida Consagrada para renovarmos em nós o entusiasmo pelo testemunho de Cristo e do evangelho”, afirmou a terminar o bispo diocesano que manifestou também o apreço da Igreja algarvia pela comunidade das Carmelitas Descalças. “Consideramos esta comunidade e este Carmelo como fonte de bênçãos para a nossa Igreja diocesana, pela oração das irmãs, pela referência que elas constituem para todos nós e pelo apelo que a sua vida nos sugere”, disse.

A eucaristia terminou com a veneração de uma relíquia de Santa Teresa de Jesus.

No domingo, as comunidades dos padres carmelitas em Portugal voltam a assinalar a abertura desta efeméride. No Carmelo algarvio será celebrada outra eucaristia, presidida pelo padre Victor Hidalgo, Carmelita Descalço, às 17h.

Toda a família carmelita e teresiana tem vindo a preparar desde 2009 este quinto centenário do nascimento desta proeminente figura da vida da Igreja com os mais variados eventos, incidindo sobretudo na leitura, meditação e estudo dos escritos da Santa de Ávila com iniciativas previstas em todas as dioceses de Portugal.

A Diocese do Algarve promoveu já, em julho passado, uma peregrinação a Ávila no contexto desta comemoração que se destinou sobretudo a famílias ligadas ao carisma carmelita e teresiano mas contou também com outros participantes. A iniciativa inseriu-se na peregrinação dos institutos religiosos, movimentos, grupos de leigos (entenda-se, membros da Igreja que não são nem consagrados, nem clérigos) de inspiração carmelita e teresiana de Portugal àquela cidade espanhola.

Teresa de Ávila nasceu a 28 de março de 1515 e, após ter entrado no convento carmelita de Nossa Senhora da Encarnação, promoveu a renovação da Ordem do Carmo, tendo fundado o primeiro convento da nova família carmelita descalça em 1562, dia em que Teresa mudou de hábito e começou a chamar-se Teresa de Jesus. No século XVI foi responsável pela reforma da Ordem dos Carmelitas em Portugal juntamente com São João da Cruz, processo do qual saiu, em 1593, o ramo dos Carmelitas Descalços.

Teresa de Ávila morreu em Alba de Tormes (Salamanca) no ano de 1582 e foi proclamada doutora da Igreja por Paulo VI em 1970.

 Folha do Domingo com Ecclesia

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