23 de agosto de 2026 | 21º Domingo do Tempo Comum -Ano A | Uma descoberta que muda o nome e a vida

Sabemos distinguir muito bem o amigo dos colegas de trabalho, dos companheiros de jogo, do bar, da claque desportiva. São diferentes os sentimentos que experimentamos pela rapariga acabada de conhecer, pela namorada, pela esposa. Quando somos envolvidos no amor, desencadeia-se imediatamente o mecanismo do ciúme, aparece o tormento de quem teme perder a pessoa amada, de quem não tolera rivais. É uma paixão difícil de controlar: «Cruel é a ira, furiosa é a cólera, mas quem poderá suportar o ciúme?» abrevia os dias, antecipa a velhice.
Também Deus é «ciumento» porque ninguém mais do que Ele está apaixonado pelo homem. No Antigo Testamento, ecoam dezenas de vezes as expressões: «Eu sou o Senhor, sou um Deus ciumento» «Sinto por Sião um amor ardente, que me provoca ciúme». «Pelo fogo do meu zelo (ciúme) será consumida toda a terra». Deus exige o amor exclusivo que apanha completamente todo o coração, toda a alma, toda as forças; no coração do homem só pode haver lugar para Ele.
Este amor sem reservas é pretendido também por Cristo: «Se alguém vem ter comigo e não me tem mais amor do que ao seu pai, à sua mãe, à sua esposa, aos seus filhos, aos seus irmãos, às suas irmãs e até à sua própria vida, não pode ser meu discípulo». Nada deve estar antes dele, nem mesmo os afetos mais naturais – é este o sentido da imagem paradoxal que Ele usa.
Um dia, junto à cidade que Filipe – um dos filhos de Herodes, o Grande – fundou no extremo norte do país, Jesus dirige aos Apóstolos duas perguntas. A primeira é bastante simples: «Quem sou Eu para as pessoas?» já a segunda é mais exigente: «Quem sou Eu para vós?»
As opiniões que circulam associam-no a personagens eminentes: a João Batista, a Elias, a Jeremias, aos antigos profetas.
É inegável a admiração das pessoas de todos os tempos por Jesus, porém, a estima e a veneração não são suficientes. Ele não é a personificação, a concretização de valores excelentes, procurados normalmente pelas pessoas de boa vontade; não é um dos muitos que se distinguiram pela honestidade e pela lealdade, pelo amor aos pobres, pelo empenho a favor da justiça, da paz, da não-violência.
É verdade que, já como homem, Jesus está longe deles porque não segue as tácticas e as estratégias humanas. É suficiente pensar na escolha que fez, de esperar a maturidade para iniciar a sua missão, de ter dado precedência à vida oculta, de não revelar senão aos mais íntimos o seu projeto, e de o fazer gradualmente, de ter invertido todas – mas mesmo todas – as lógicas humanas até ao ponto de «entregar» a sua vida, de ter feito da derrota o seu triunfo. Mas nem mesmo isto é suficiente para ser considerado por Ele seu discípulo. Discípulo é quem entendeu que Ele é único, assim como é única a pessoa por quem nos apaixonamos, em quem se confia cegamente e pela qual estamos dispostos a tudo.

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