3 de outubro de 2026 – 27º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Cristo: pedra que despedaça os nossos ídolos

Como fizera o profeta Isaías, também Jesus recorre à imagem da vinha para descrever a obra de Deus e a resposta do homem; a cena, porém, é um pouco diferente. Mudam as personagens: em primeiro plano já não está Deus e a vinha que dá uva agraz e selvagem, mas um proprietário, Deus, e os seus trabalhadores, identificados com os sumos sacerdotes e os guias espirituais do povo ao qual é dirigida a parábola. Depois a vinha não é estéril, parece que dá fruto, mas estes frutos não são entregues. Por fim a conclusão é diferente: não há o abandono, a devastação da vinha, mas um novo início, uma intervenção salvífica, a substituição dos trabalhadores inaptos.
Vejamos a parábola. Um proprietário planta uma vinha, circunda-a com uma sebe, escava um lagar, constrói uma torre, confia-a a uns vinhateiros e parte.
Chegada a época da vindima, envia os seus servos a receber a colheita, mas eis que surge a surpresa: os agricultores não querem entregar os frutos. Pensa-se logo que eles, certamente, queriam ficar com os frutos para si; mas há outra possibilidade, talvez até mais provável, de que não tenham nenhum fruto a apresentar. Pode ser que não tenham trabalhado, que tenham passado o tempo na pândega e na devassidão, ou, então, que tenham trabalhado mal.
Alguns deles começam com as piadas para com os enviados do proprietário, depois seguem-se os insultos, por fim o espancamento e a morte de alguns servos. O proprietário não desanima, ama muito a sua vinha, e então manda outros servos, mais numerosos que os primeiros, mas também estes não têm melhor sorte. Como última tentativa, envia o seu próprio filho, mas os vinhateiros expulsam-no também a ele e matam-no, convencidos de poderem mandar no campo que lhes foi confiado.
Como acontece com a primeira leitura, também no Evangelho todos os pormenores do relato têm um significado simbólico.
O proprietário é o Senhor, que teve tantos cuidados e manifestou um amor imenso pelo seu povo. A sebe é a Tora, a Lei que Deus revelou ao seu povo para o proteger dos inimigos, das propostas de vida insensatas que o levariam à ruína. Os vinhateiros representam os chefes, os guias religiosos e políticos, cuja função é colocar o povo nas condições ideais para produzir os frutos que o proprietário espera e que a primeira leitura permite identificar: são as obras de amor ao próximo e de justiça social.
Os dois grupos de enviados indicam os profetas que, antes e depois do exílio na Babilónia, foram mandados, cada vez em maior número, para lembrar a Israel a fidelidade à aliança. Assim se exprime Deus pela boca de Jeremias: «Desde o dia em que os vossos pais deixaram o Egipto até hoje, Eu vos enviei todos os meus servos, os profetas, dia após dia. Eles, porém, não me ouviram, não me prestaram atenção; endureceram a sua cerviz e agiram pior que os seus pais».
O tempo da vindima representa o momento do juízo de Deus, que – é preciso não esquecer – não deve ser visto como o «ajuste de contas», mas como uma intervenção de salvação. Eu explico-me. No final da parábola, Jesus procura envolver os seus ouvintes, e pede-lhes um parecer sobre qual deverá ser a atitude do proprietário, ao que eles respondem, convictos: «mandará matar sem piedade esses malvados».
Mas Jesus segue outra lógica. Em vez de aprovar as palavras ameaçadoras e de destruição pronunciadas pelos seus ouvintes, propõe a ação de Deus: o Senhor não reagirá destruindo o malvado, mas também não fingirá que não foi praticado o mal. Este permanece, não pode ser anulado. Deus intervém para fazer com que sirva para o bem, para fazer daquela situação uma obra – prima de salvação. Aqui podemos recordar o que José diz aos irmãos que o tinham vendido aos egípcios: «Premeditaste contra mim o mal. Mas Deus aproveitou-o para o bem, a fim de que acontecesse o que hoje aconteceu, e um povo numeroso fosse salvo».

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