14 de dezembro de 2025 – 3º Domingo do Advento – Ano A |O Batista Convidado a Converter-se

«Apareceu um homem, enviado por Deus, que se chamava João» enviado para preparar Israel para a vinda do messias. «Convertei-vos – dizia – porque está próximo o reino dos Céus».
A sua mensagem era clara, a linguagem dura, a proposta exigente.
Austero e irrepreensível, dava a impressão de ser um mestre de vida seguro de si mesmo e das suas certezas, inabalável, inflexível. Pelo contrário – como toda a gente – também ele experimentava a perplexidade, o desassossego, o tormento interior.
Jesus, que tinha por ele uma estima profunda e o entendia, convidou-o um dia a rever as suas convicções teológicas e religiosas. Deu-lhe a entender que devia realizar em si mesmo aquela conversão que pedia aos outros.
No passado domingo, a liturgia propôs-nos a mensagem do Baptista; hoje, apresenta-nos o seu exemplo.
João não se limitou a ensinar com palavras, mas mostrou, com a vida, a necessidade de estarmos sempre prontos a pôr em causa as próprias certezas e seguranças quando confrontados com a novidade de Deus.
Não é fácil reconhecer o messias de Deus.
Formado pelos profetas, Israel esperou-o durante séculos e, no entanto, quando chegou, até mesmo aquelas pessoas espiritualmente mais preparadas tiveram dificuldade em o entender e acolher. O próprio Baptista ficou desorientado.
Um messias que não causa admiração, que não suscita incredulidade não pode vir de Deus; seria demasiado apropriado à nossa lógica e às nossas expectativas e Deus vê as coisas de modo bem diferente do nosso.
Na primeira parte do Evangelho de hoje, são apresentadas as dúvidas que surgiram um dia até mesmo na mente do percursor, bem como as respostas que Jesus lhe deu.
João encontrava-se na prisão, e o motivo é narrado em Mt 14, 1-12: ele denunciara o comportamento imoral de Herodes, que se apropriara da mulher de seu irmão. Na fortaleza de Maqueronto onde, segundo o historiador Flávio Josefo, fora preso, é tratado com respeito, pode receber as visitas dos discípulos e, desejoso de assistir ao advento do Reino de Deus, mantém-se informado acerca do comportamento daquele Jesus de Nazaré que ele apontara como o messias.
Neste intervalo, porém, a sua fé começa a vacilar.
Há quem afirme que as dúvidas não eram de João, mas dos seus discípulos. Não é assim. Pelo relato do Evangelho torna-se claro que era ele mesmo que duvidava que Jesus fosse o messias. Por isso mandou perguntar-lhe: « És Tu aquele que há-de vir ou devemos esperar outro?»
Como surgiu nele esta perplexidade?
A resposta é bastante simples. É suficiente ter presente a imagem de messias que, desde pequeno, João assimilara dos guias espirituais do seu povo.
Está na prisão e, consciente daquilo que anunciaram os profetas, espera o «libertador», encarregado de restabelecer no mundo a justiça e a verdade. Não compreende por que motivo Jesus não se decide a intervir em seu favor.
Espera um messias que é juiz rigoroso e se lança contra os maus. E olha que surpresa: Jesus não só não condena os pecadores, mas come com eles e gloria-se de ser amigo deles.
Recomenda que não se apague a mecha que ainda fumega e sugere que se cuide da «cana rachada». Nada destrói, recupera e conserta o que está arruinado. Não queima os pecadores, muda os seus corações e quer que sejam felizes a todo o custo, tem palavras de salvação para os que já não têm esperança e os que são evitados por todos como leprosos. Não se desencoraja diante de nenhum dos problemas do homem, não se rende nem mesmo perante a morte.
Aos enviados do Baptista, Jesus apresenta-se como messias, enumerando os sinais tomados de alguns dos textos de Isaías, o profeta da esperança que dissera: «Nenhum habitante de Jerusalém dirá: estou doente».
O Baptista é convidado a dar-se conta de seis novas realidades: a cura dos cegos, dos surdos, dos leprosos, dos coxos, a ressurreição dos mortos e o anúncio do Evangelho aos pobres. Todos são sinais de salvação, nenhum de condenação.

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