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Como fazer de 2019 um Grande Ano Novo?

Alguma vez vos ocorreu melhorar no Novo Ano a vida espiritual?

Cada Novo Ano desperta em nós uma esperança, um novo entusiasmo e um renovado desejo de que seja um ano grande em realizações.

Queremos que a nossa vida melhore. Mas será que pensamos na sua dimensão espiritual? Será este o ano em que, além de melhor saúde, mais dinheiro e sucesso profissional, poderíamos aspirar a uma vida espiritual mais profunda? E como?

A vida é feita de eventos sequenciais e interligados com as nossas acções. E um ano grande depende da grandeza dessas acções. A questão está em saber como medir a grandeza das acções humanas para percebermos o tipo de ano que tivemos e que queremos ter.

A grandeza das acções humanas é medida pela inspiração que essa traz. Bendito aquele que traz dentro de si um Deus, um ideal de beleza e obedece-lhe: um ideal de arte, ideal de ciência, ideal de nação, ideal de virtudes do Evangelho! Estes são as fontes dos grandes pensamentos e das grandes acções. Todos os reflexos iluminam o infinito. (Louis Pasteur)

Obedecer aos ideais significa escutar Deus porque obediência possui a sua raiz na escuta atenta. E quando li este pensamento de Pasteur pensei como os ideais inspiram as grandes ideias, mas enquanto essas ideias não se converterem em acções concretas, pouco poderão inspirar.

Cada passo que iremos dar ao longo do próximo ano só leva ao aprofundamento da vida espiritual se converter cada ideia numa acção concreta transformativa. Penso que essa conversão faz-se com uma característica humana única.

A criatividade.

A criatividade é um caminho espiritual único. E se fizessemos de 2019: o Ano da Criatividade?

Ser criativo no tempo

Onde há uma razão, há tempo.

O tempo não se cria, mas perde-se se não o usamos para transformar a nossa vida. Cada segundo de vida dá-nos uma razão para viver.

Ser criativo em cada segundo implica abrir a nossa disponibilidade à Vontade de Deus que se manifesta no momento presente.

Ser criativo nos afectos

Se não amo o irmão que vejo, como posso amar a Deus que não vejo?

Não vejo!?

Vejo.

Basta ver Deus no irmão.

No próximo ano, podemos desenvolver a capacidade de ver Jesus em cada pessoa e ser criativo no modo como manifesto o amor a Jesus nela. Pode ser um simples sorriso, um gesto, um acto de amor, uma lágrima, uma mão. Não há limites para a imaginação de quem ama.

Ser criativo nos propósitos

Lembram-se da última vez em que definiram um propósito para melhorar a vossa vida espiritual nos últimos anos? Uma vida espiritual mais profunda desafia-nos permanentemente a sair da nossa zona de conforto e a arriscar nos nossos propósitos.

Pensa no que pode levar a uma maior união com Deus e seja desconfortável. A criatividade está no modo como tornar realidade o que é desconfortável, mas isso implica ser criativo no que vem a seguir.

Ser criativo nos hábitos

Não são as decisões grandes que realizam os nossos propósitos, mas as pequenas, tomadas todos os dias. São os hábitos que nos dão a estrutura espiritual que permite atingir os nossos objectivos.

Ser criativo nos hábitos significa encontrar aquele 1% a mais que me é fácil fazer, e que ao fim de 365 dias se converteu num hábito. Por exemplo, não consigo ler algo para meditar por mais do que 1 minuto. Se todos os dias aumentar 1%, no final do ano medito durante 37 minutos e 47 segundos, o que é extraodinário.

Ser criativo nas ideias

Deus é o grande Criador. E nós, criados à Sua imagem, somos co-criadores com Deus. Logo, ser criativo nas ideias faz parte do nosso DNA espiritual. O problema é pensarmos que ter ideias criativas implica um longo tempo de reflexão, ou aguardar pela inspiração divina. O problema está na palavra “aguardar.”

O único modo de ter boas ideias que nos aproximem de Deus é ter muitas ideias. Ainda que a maior parte sejam más ideias, não importa. Pois, não há ressureição que não seja precedida pelo caminho da paixão no calvário das ideias que não funcionam.

Ser criativo nos relacionamentos

Há pessoas que podem ser um obstáculo na nossa vida espiritual, mas se Deus nos criou como seres-em-relação, será através dos relacionamentos com os outros que nos podemos aproximar de Deus.

Ele que é Trindade, é existência enquanto relação. Um Deus relacional. Logo, ao sermos criativos nos relacionamentos, estaremos a viver cada vez mais o melhor a vocação a que Deus nos chamou desde sempre, e nos chama em cada momento: geradores de comunhão.

 

Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt

Autor: Miguel Oliveira Panão (Professor Universitário), Blog & Autor

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