18 de julho de 2021 – 16º Domingo do Tempo Comum – Ano B

A dispersão, a desunião, a desarmonia, a fragmentação, sempre foram na Bíblia sinal do pecado. Logo no pecado original encontramos o fosso cavado Adão e Eva e Deus, que os leva a esconderem-se de Deus e a resguardarem-se um do outro pela consciência da nudez. Como consequência da soberba dos homens expressa na torre de Babel, aparece-nos a dispersão da humanidade por línguas ininteligíveis umas às outras.

O pecado dos pastores do povo de Deus, os reis e os sacerdotes, a sua infidelidade à Aliança e aos mandamentos, levam-nos a realizarem exatamente o sinal contrário do pastor pelas injustiças que provocam, dispersão em vez de reunirem. É disso que Deus acusa os pastores de Israel através do profeta Jeremias.

Se assim é, Deus vem salvar-nos realizando a obra própria dum pastor verdadeiro, isto é, aquele que tem “compaixão” das ovelhas dispersas e reúne a todas num só rebanho onde todas se acolhem. É nessa figura que Jesus se nos apresenta: Jesus salva-nos reunindo-nos para nos alimentar e proteger.

O acto máximo de Cristo bom pastor é a Sua morte na cruz: “o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas”. Dá a vida pelo rebanho e por cada uma das ovelhas – haja em vista a parábola da ovelha perdida, em que o pastor deixa 99 ovelhas para ir à procura de uma que se perdeu.

A compaixão indivisível pelas suas ovelhas que Jesus mostra na cruz é a fonte daquela paz de que fala São Paulo: “Cristo é de facto a nossa paz”.

A Igreja no seu todo, como promessa visível da humanidade reunida à volta de Deus, e cada cristão nela integrado, haverão de encarar a tarefa da reconciliação e da unidade de todos os homens como prioritária exatamente por isso ser o primeiro sinal da salvação inaugurada por Cristo.

Ora, o programa, o projeto dessa reconciliação e pacificação não é nosso, mas de Deus; isso nunca poderemos esquecer, sob pena de destruirmos em vez de construirmos. Não seremos muitas vezes merecedores das acusações severas do profeta Jeremias?

 

Check Also

Símbolos da Jornada Mundial da Juventude voltam em outubro ao Algarve, ao fim de 11 anos

Os símbolos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) – a cruz e o ícone de …