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História do Padroeiro

SÃO LUIS DE ANJOU

padroeiroSão Luis de Anjou – Sicília, que morreu sendo bispo de Toulouse, aos vinte e três anos, nasceu em Brignoles, na formosa vila de Provença, no ano 1274. Sua mãe Maria, filha de Estêvão V, rei da Hungria, era sobrinha de Santa Isabel e irmã de três príncipes que também chegaram a ser reis e santos: Estêvão, Ladislau e Henrique. Seu pai, Carlos II de Anjou, rei da Nápoles, Sicília, Jerusalém e Hungria, era sobrinho de S. Luis, rei de França.

O príncipe D. Luís, segundo filho, brilhou desde a infância, pela segurança dos conhecimentos, pela sua piedade sólida, pelo desprezo das honras do mundo e uma maturidade que lhe grageavam o amor e o respeito de todos. Desde cedo Deus o chamou para um mais alto destino que a história política do seu tempo parecia reservar-lhe. Tudo nele era acima da sua idade, no recato e na gravidade dos costumes.

Foi testemunha, nos seus verdes anos, das sangrentas lutas que opunham sua família aos reis de Aragão. Seu avô, Carlos, a quem o Papa Inocêncio IV tinha adjudicado o reino de Nápoles, tinha sonhado reinar na Itália inteira. Foi vítima do ódio dos sicilianos, sublevados contra a sua tirania nas terríveis matanças ocorridas em Palermo, conhecidas na história por vésperas sicilianas, de 31 de Março de 1282. Fracassados os planos de conquista de seu avô, dois anos mais tarde, quando D. Luis não tinha mais de 10 anos, seu pai, que procurava resistir em Nápoles, foi feito prisioneiro. Durante três anos iria permanecer em Barcelona, encarcerado no Castelo de Siurana, por ordem do rei D. Pedro III. Quando foi posto em liberdade chegava para D. Luís a hora de trabalhos e sofrimentos mais dolorosos: D. Afonso III de Aragão consentia em libertar o pai com a condição de que os três filhos fossem levados para Barcelona, como reféns. Este cativeiro dos três príncipes, D. Luís, D. Roberto e D. Raimundo haveria de durar sete anos. O príncipe D. Luís, o mais velho dos irmãos, teria então treze anos. Foi tratado com aspereza, tanto mais quanto maior era o rancor que animava o rei de Aragão contra a política do Papa que se negava a revogar a doação e investidura dos reis de Aragão, Valência e condado de Barcelona a Carlos de Valois, filho segundo do rei de França, acabado por coroar o pai dos príncipes encarcerados, como rei da Sicília, absolvendo-o de todas as garantias que tinha dado ao rei de Aragão quando o pôs em liberdade. O príncipe D. Luís aguentou os sofrimentos de sua longa prisão com admirável paciência. A alegria que lhe brilhava no rosto indicava bem com que espírito recebia estes maus-tratos. O seu exemplo alentou os outros reféns que com ele sofriam. Crede-me, dizia ele, a adversidade é mais vantajosa que a prosperidade, para aqueles que servem a Deus, porque nunca lhe estamos mais deveras submetidos do que no sofrimento. A prosperidade embriaga, cega-nos e entontece-nos; é o combustível de todas as paixões, porque lisonjeando a nosso amor-próprio, faz que percamos o temor de Deus. Não satisfeito com as amarguras próprias do estado de cativo, juntava-lhes muitas outras austeridades voluntárias. Jejuava vários dias por semana, com grande rigor. Estava acostumado, desde criança, a uma vida penitente. A rainha D. Maria, sua mãe, declarou que desde os sete anos costumava levantar-se de sua cama, de noite, para dormir no chão do seu quarto. Aproveitou ainda o seu cativeiro para se dedicar ao estudo.

padroeiro1Foi durante a sua estadia na Catalunha que se afeiçoou intimamente aos religiosos da ordem de S. Francisco, especialmente através do padre Jacques Deuze, que haveria de ser, mais tarde, Papa, com o nome de João XXII. Meditava frequentemente as coisas de Deus e os mistérios de Jesus Cristo Nosso Senhor. Confessava-se quase todos os dias antes de participar na missa e não deixava de rezar nunca o ofício divino. Era especialmente devoto da Cruz e da Virgem Maria, o que o fazia dizer a toda a gente que era o servo querido e o filho bem amado da Mãe de Deus. Recitava todos os dias um grande número de orações em sua honra sendo ilimitada a sua confiança nesta Mãe de misericórdia.

Quando lhe concediam a liberdade, empregava-a para visitar os pobres e enfermos da cidade.

Certo dia reuniu leprosos para lhes lavar as feridas e servir-lhes alimentos. Diz-se que um destes estava tão chagado que à sua vista até os outros príncipes desmaiaram. No dia seguinte, querendo voltar a vê-lo, foi impossível encontrá-lo em toda a cidade, crendo-se que era o próprio Senhor que lhe tinha aparecido para receber os amorosos serviços do jovem D. Luís, seu fiel discípulo. Entre estas obras de misericórdia se passaram os anos da sua adolescência dedicada ao estudo e à meditação divina. Os religiosos franciscanos foram os seus mestres e sob a sua orientação tornou-se hábil na filosofia e na teologia, de modo que ao terminar o seu cativeiro estava já habituado a disputar nos pontos mais intricados da ecolástica.

Tendo adoecido gravemente no castelo de Sura, fez o voto de, se viesse a recuperar a saúde, abraçaria a vida religiosa franciscana, desejo que há muito concebera mas que mantinha oculto com medo de irritar o seu pai e o rei de Aragão.

Então Deus lhe permitiu realizar o seu voto. Ficou curado como que por milagre, após prolongada doença. D. Jaime II de Aragão, filho e sucessor de D. Afonso III, procurando a paz com o Papa e com as casas de França e Nápoles, decidiu libertar os filhos de Carlos II com a condição de que sua filha, D. Branca, se casasse com ele. Falou-se igualmente, nestas conversações de Anagni, em Junho de 1295, em casar o príncipe D. Luís com a princesa Violante, irmã do rei. D. Luís, desejoso de realizar a sua promessa de entrar na vida religiosa, negou-se firmemente, apesar das instâncias de seu pai e dos da corte, interessados em que este enlace robustecesse a união e a paz entre os dois estados. Foi então que D. Luís pronunciou estas palavras em que se retrata a sua alma. “ Jesus Cristo, disse, é o meu reino. «Possuindo-o a Ele, tendo tudo; despojado dele tudo perco.» Seu pai prometia faze-lo herdeiro de Nápoles, já que seu irmão mais velho Carlos Martel príncipe de Salerno tinha já sido coroado rei da Hungria, como herdeiro de Maria sua mãe e irmã do falecido rei da Ladislau. Mas nada foi capaz de abalar a resolução que tinha tomado de abandonar o mundo, de modo que, no regresso de Barcelona, passando por Mompellier instou muito junto do provincial dos franciscanos para que o admitisse na ordem. Os padres, receando desagradar ao rei, seu pai, não puderam satisfazer os seus desejos.

Luís viu-se obrigado a dirigir-se à Itália mas em Roma decidiu não dar mais ouvidos à voz da carne e do sangue. Renunciou à coroa de Nápoles e todos os seus Estados em favor de seu Roberto, em Janeiro de 1296 e consagrou-se inteiramente ao serviço de Deus. Pensava viver escondido num convento da ordem dos franciscanos na Alemanha, mas a providência divina tinha-lhe preparado outra prova. Após a profissão solene no convento franciscano Ara Coeli de Roma, recebeu as ordens sacras em Nápoles em 20 de Maio de 1296. O Papa BonifácioVIII, quando D. Luís voltava da Catalunha deu-lhe uma audiência e tão alto conceito formou da virtude do príncipe que resolveu elevá-lo à dignidade episcopal. Vagou por essa ocasião o bispado de Teulouse, por morte de Hugo Mascaron, sendo lá colocado D. Luís, apesar de ter apenas vinte e três anos, dizendo o Papa que o mérito e a virtude supriam a sua falta de idade. O desejo que tinha do retiro e da obscuridade inspiravam-lhe relutância, mas não houve remédio senão obedecer. Obrigado a aceitar obteve ao menos a autorização de cumprir antes o voto que fizera de se conservar franciscano.

No dia de S. Águeda, revestido do hábito da sua ordem, atravessou as ruas de Roma, descalço e desde o Capitólio até S. Pedro, onde pregou e foi sagrado bispo. A nova dignidade só serviu para tornar mais brilhante a sua humildade e mortificação. Nunca mais largou o hábito de S. Francisco. A sua edificante pobreza, num príncipe, dava um vivo realce à sua dignidade de bispo. Na viagem para a sua diocese não abrandou as suas austeridades. Em Sena hospedou-se na casa dos frades menores e quis ser tratado como os outros, sem distinção, lavando a louça depois das refeições, com os demais, e vivendo do pão e da esmola do peditório. Em Florença recusou um quarto com um leito ricamente preparado para o receber e deitou-se num leito simples. Foi recebido, em Toulouse, com toda a dignidade que merecia um príncipe, um bispo e um santo. A sua administração foi curta mas muito proveitosa. A sua moderação conquistou desde logo o coração do clero, da nobreza e do povo. As suas primeiras visitas foram aos pobres nos hospitais e os seus primeiros cuidados foram aliviar as famílias pobres e envergonhadas. Fazendo contas da diocese ordenou que, deduzindo o estritamento necessário para a sua sustentação, mais como religioso do que como bispo, todo restante fosse distribuído pelos pobres. Sustentava todos os dias vinte e cinco à sua mesa, que ele mesmo servia crendo faze-lo a Jesus Cristo, a exemplo de S. Luis, seu tio. A sua caridade estendia-se aos encarcerados que visitava muitas vezes e aos doentes pobres que, depois de ter atendido ajudava com as suas esmolas. A sua liberalidade alargava-se a toda a Provença e às outras províncias do rei, seu pai, de quem obteve o perdão de cento e cinquenta prisioneiros de guerra, condenados à morte.

Fez, logo no princípio, a visita a toda a sua diocese, deixando por toda a parte provas e monumentos do seu zelo e caridade. Reformou o clero, pondo todo o cuidado na formação dos sacerdotes, pregava duas vezes ao dia sendo a sua palavra de fogo ocasião de muitas conversões e acompanhada de prodígios que saravam os corpos. Os seus trabalhos apostólicos não afrouxaram as suas pentências; pelo contrário, aumentavam-nas. Apesar do seu santo zelo apostólico o jovem bispo atemorizava-se com a dignidade do seu cargo. Levado pela sua profunda humildade parece que pensou em pedir a sua demissão e implorar ao Papa que lhe permitisse levar uma vida de silêncio, longe dos homens. A caminho de Roma, onde ia tomar parte nos solenes actos de canonização de seu tio, S. Luis rei de França, adoeceu em Brignoles, onde nascera vinte e três anos antes. Aí teve a revelação de que se aproximava o fim dos seus dias. Preparou-se para a morte com novo fervor, como costumavam fazer homens santos, por uma profunda meditação dos mistérios sagrados e um abandono total e confiança na vontade divina « Vou morrer, dizia-a seu companheiro de viagem, vou morrer e alegro-me como o marinheiro que volta a ver terra e se prepara para aportar depois de uma larga navegação. Vou deixar um cargo demasiado pesado para os meus ombros, que não permitia consagrar-me inteiramente a Deus». No dia da Assunção, 15 de Agosto, recebeu a bênção dos doentes e, apesar do seu débil estado, quando viu o Senhor a entrar no seu aposento para o visitar, levantou-se do seu leito e adiantou-se, pôs-se de joelhos, recebeu o hóspede amado pela última vez e repetia sem cessar: Te adoramos, Jesus Cristo, Senhor Nosso e Te damos Graças por teres resgatado o mundo pela Tua Santa Cruz »

Pronunciava também as palavras da saudação angélica e como o seu companheiro lhe perguntasse porquê, dizia: Não tardarei a morrer e a Virgem Santíssima virá em meu auxílio».

Morreu a 19 de Agosto de 1297. A sua santidade e pureza heróica foram postas em realce pelos milagres que acompanharam a sua morte. Um dos religiosos que assistiram viu a sua alma subir ao céuno meio dos espíritos bem-aventurados que cantavam: Assim costuma tratar o Senhor os que viveram com tanta inocência e pureza». O prodígio mais falado foi o da rosa que surgiu na sua boca, para pública manifestação da sua acendrada caridade. Foi sepultado no coro da igreja dos padres franciscanos de Marselha, multiplicando-se os milagres no seu sepulcro. Foram tantos os doentes curados por sua intercessão que o Papa João XXII não tardou em canoniza-lo em 1317, publicando a respectiva bula, depois de todas as informações convenientes, na cidade de Avinhão e dois dias depois escreveu um breve à rainha da Sicília, sua mãe que ainda era viva. A onze de Novembro do ano seguinte o seu corpo foi levado do coro dos franciscanos de Marselha e depositado num relicário de prata exposto no altar-mor. Presenciaram este ato, além de cardeais e bispos, o rei de Nápoles e Sicília, o seu irmão mais novo Roberto, a quem o santo tinha cedido os direitos da coroa. A devoção que o povo cristão devotou ao santo príncipe espalhou-se pelos reinos da casa de Aragão, secularmente inimiga da sua. Em 1443 D. Afonso V, o magnânimo rei de Aragão e Nápoles, tomou a cidade de Marselha e levou, numa galera, este sagrado tesouro para Valência, em Espanha, onde a memória de S. Luis de Anjou foi objeto de grande veneração. Por fim em 1862 o arcebispo de Valência concedeu à igreja de Toulouse uma relíquia do que tinha sido seu bispo.

Bibliografia: ano Cristiano, III, Júlio – septiembre, BAC

Madrid, 1966

Ano Cristão, vol. VIII, Agosto “Porto Médico Lda”
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