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6 a 13 de agosto de 2017 – 45ª Semana Nacional de Migrantes

Mensagem para a Semana de Migrações

Acolher o futuro. Novas gerações migrantes são o amanhã da humanidade.

 

Todos os anos celebramos em Portugal, no mês de agosto, a Semana das Migrações, aproveitando o mês de férias, também para muitos emigrantes, usando a temática da mensagem do Papa para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, celebrado na Igreja no domingo a seguir ao Batismo de Jesus, no mês de janeiro, que este ano se debruçou sobre os migrantes menores, vulneráveis e sem voz e que a comissão episcopal intitulou: acolher o futuro, novas gerações migrantes são o amanhã da humanidade.

Esta chamada de atenção sobre estes migrantes menores, vulneráveis e sem voz, é muito oportuna, não apenas por causa das crianças que fogem com suas famílias à fome e à guerra e muitas delas morrem pelos caminhos, mas também pelas crianças que emigram sozinhas, sem o agregado familiar e que têm aumentado nos últimos anos (em 2016 foram cerca de 300.000!). muitas são traficadas para aproveitamento dos seus órgãos, para a guerra e para o abuso sexual, na pedofilia. Todos sabemos que uma sociedade sem crianças está condenada a morrer. Todos falam do envelhecimento da Europa e da necessidade de repor as gerações, o que não se pode fazer apenas com as migrações. Também Portugal está a envelhecer, não apenas porque muitos jovens emigram, à procura de trabalho mais bem remunerado, mas também porque os casais não querem ter filhos ou se limitam apenas a um. Quem irá tratar dos nossos idosos? Quem irá fazer descontos para a sustentabilidade da segurança social?

Há um ditado muito antigo que diz: não faças aos outros o que não gostarias que te fizessem a ti. Mesmo sem esta motivação um pouco egoísta, todos sabemos que é hoje que preparamos o futuro, não apenas para nós, mas também para as novas gerações. Que futuro desejamos para nós e para eles? Ouvi, muitas vezes, emigrantes dizer que foi para melhorar a situação da família que os levou a emigrar: para construir uma casa, para que os filhos estudassem e não tivessem de se contentar com uma profissão servil, etc. Apesar das muitas mudanças e desilusões, no fundo estas motivações permanecem. Mas é tempo de refletirmos e agirmos de acordo com aquilo que será melhor para as novas gerações. Não deixemos para amanhã o que podemos fazer hoje.

Cuidar da nossa família e cuidar da casa comum, protegendo o ambiente e sobretudo amando o nosso próximo de modo concreto e não apenas com palavras, será a melhor maneira de mostrarmos que temos em atenção os menores, os mais vulneráveis, os sem voz. Mesmo que a nossa infância tenha sido dolorosa, nunca façamos as nossas crianças sofrer desnecessariamente. Tenhamos presente aquilo que Deus disse aos israelitas: Amarás o estrageiro, porque foste estrageiro na terra do Egito (Dt 10,19). Assim preparamos um melhor futuro para todos, sobretudo os menores, mais vulneráveis e sem voz, onde haja pão para todos, paz e amor.

Lembremo-nos das palavras e dos gestos do Papa em Fátima, nos dias 12 e13 maio último, juntando-se à multidão de peregrinos para agradecer a Nossa Senhora os seus desvelos de Mãe e os pastorinhos terem sabido acolher a sua mensagem e transmitido ao mundo: oração do rosário, sacrifícios pela conversão dos pecadores e amor ao Papa, o homem vestido de branco, para que haja paz no mundo. Ao canonizar os pastorinhos Francisco e Jacinta Marto, os primeiros santos não mártires mais jovens da história da Igreja, de 8 e 10 anos, o Papa mostrou ao mundo a verdade do Evangelho: Se não voltardes a ser como as criancinhas, não podereis entra no Reino do Céu (Mt 18,3).

+ António Vitalino Dantas
Bispo Emérito de Beja

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